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Hotel Lisboa Regency Chiado

O Hotel do Chiado como o próprio nome já diz está situado num dos pontos mais emblemáticos da capital Lisboeta, o Chiado, famoso pelos cafés divinais, pelos teatros, bares e restaurantes e óbviamente pela arquitetura ímpar. A localização é fabulosa dado que o Elevador de Santa Justa encontra-se a uma caminhada de 5 minutos do hotel; bem como a Praça do Rossio, Rua Augusta e as demais ruas comerciais da região, sem esquecer das fabulosas lojas que o Chiado abriga.

Hotel Regency Chiado - Fotos site Oficial ©
Hotel Regency Chiado – Fotos Site Oficial ©

O Hotel do Chiado caracteriza-se pelo charme e bom gosto, oferecendo ao hóspede um terraço com uma das mais belas vista de Lisboa. A decoração é sóbria e discreta, e os quartos são equipados com cofre, ar condicionado, tv a cabo, mini bar, acesso a internet, máquina fotocopiadora e fax, Video-messaging (através da TV), etc.

Hotel Regency Chiado - Fotos site Oficial ©
Hotel Regency Chiado – Fotos Site Oficial ©

Os quartos ‘Premium Rooms’ tem varanda privada e a fantástica paisagem do Castelo São Jorge, a Catedral de Lisboa e o rio Tejo. O Hotel do Chiado conta também com o Bar Entretanto oferece uma impressionante paisagem panorâmica sob a cidade de Lisboa e é o local ideal para alguns momentos de tranquilidade. Lisboa por si só é uma experiência única, com certeza hospedando-se no Hotel do Chiado, você levará em sua memória momentos inesquecíveis e de rara beleza.

Hotel Regency Chiado - Fotos site Oficial ©
Hotel Regency Chiado – Fotos Site Oficial ©

Saiba mais no site oficial: – Hotel Lisboa Regency Chiado

E se pudéssemos fazer turismo imaginário?

Adoro ler, se pudesse devorava um livro por dia. Os livros sempre foram uma das minhas grandes paixões e posso considerar-me uma privilegiada porque tive oportunidade de ler centenas. Por ser uma apaixonada por livros e viagens (imaginárias ou não)  este artigo de Pedro B. exclusivo para o Bigviagem fez-me viajar em todos os sentidos. Tenho certeza de que vocês vão adorar tanto quanto eu! 😉

E se pudéssemos fazer turismo imaginário?

No último artigo que vos escrevi, falei-vos de novas formas de turismo e das motivações que levam a materialização destes novos conceitos. O desafio que vos lanço hoje também tem a ver com novas formas de turismo, mas vamos deixar o mundo físico e vamos viajar um pouco na imaginação e no verosímil. Proponho-vos lugares imaginados, que não existem, mas deviam existir, que embora não ocupem qualquer metro quadrado, povoam um grande número dos nossos neurónios, das nossas memórias e, porque não, das nossas recordações. São lugares fabulosos, imaginados por mentes prodigiosas que tiveram a coragem e a destreza de nos oferecer não só novos locais, mas também novos hábitos e novas perspetivas que nos ajudam a “ginasticar” a nossa imaginação e a libertar-nos do nosso quotidiano e do nosso mundo físico.

As formas de turismo estão fortemente ancoradas numa “fisicalidade” inultrapassável que tem implicações que determinam as nossas possibilidades enquanto turistas. Para visitar um determinado local necessito, fundamentalmente, de ter tempo e dinheiro. O equilíbrio entre estes dois factores determinam, não só, os destinos que escolho, como também toda a construção mental à volta do próprio ato de viajar.

São condicionalismos naturais e que temos de saber viver com eles. Mas felizmente, existe um mundo livre de “fisicalidade”, onde o tempo e o dinheiro são fatores muito pouco determinantes e as suas portas de entrada estão acessíveis a todos – a verdadeira democratização do turismo. Esse mundo está contido em milhares de páginas escritas por autores munidos de uma capacidade de imaginação extraordinária e capaz de transformar o nosso sofá em aviões ou naves supersónicas que nos levam para ambientes verdadeiramente únicos. É uma espécie de turismo imaginário, de destinos verosímeis que, gostemos ou odiemos, obrigam-nos a um “jogging” mental e imaginativo de um valor incalculável. Imaginem-vos privados destes destinos em criança – que seria da vossa infância, e da vossa vida, sem a terra do nunca do Peter Pan ou o país das Maravilhas de Alice?

Hoje trago-vos 8 dos meus destinos de turismo imaginário favoritos. Eles povoaram a minha imaginação, principalmente em criança, mas também em adulto. Ajudaram-me a olhar para a vida de uma forma diferente e consolaram-me muitas vezes em alturas menos fáceis da minha vida. São apenas 8 exemplos dos muitos que, felizmente, estão à nossa disposição, e, desde já, faço-vos um convite a comentá-los e partilhar com os outros leitores todas as vossas impressões e sensações quando viajaram até eles e a sugerir outros destinos imaginários que fizeram parte da vossa vida.

Fantasia – Do livro história interminável de Michael Ende.

Fantasia – Do livro história interminável de Michael Ende

Bastian Baltazar Bux após a morte da sua mãe, encontra um livro num antiquário chamado História Interminável. Rouba o livro e refugia-se no sótão da sua escola para se dedicar a lê-lo. Descobre o mundo de Fantasia, um mundo alternativo que está a ser consumido pelo “nada”, porque as crianças acreditam cada vez menos nas histórias de encantar e por isso a fantasia faz cada vez menos sentido e está devotada ao esquecimento e à morte. Bastian vai descobrir que só ele poderá salvar Fantasia e entra dentro do livro numa aventura de proporções épicas. Um livro absolutamente extraordinário e de uma imaginação galopante e viciante.

MÜ de Hugo Pratt

MÜ de Hugo Pratt

Corto Maltese, o marinheiro errante criado pelo Veneziano Hugo Pratt é, para mim, a tradução perfeita do viajante sem pátria que vagueia pelos 5 continentes à procura do significado da vida e da própria existência. Corto Maltese passeou-se pela América do Sul, pela Europa, por África e pela Ásia, algures num tempo situado entre as duas grandes guerras. O seu criador, dono de um traço único e hipnotizante ofereceu-nos todo um universo povoado de personagens fascinantes e ambientes mágicos, crenças perdidas e utopias só possíveis nas suas vinhetas. A última viagem de Corto Maltese foi ao continente perdido de MU, uma terra sem geografia, povoada de lendas e mistérios dos 4 cantos do mundo e acompanhadas pela maior parte das fascinantes personagens que Corto Maltese foi encontrando ao longo de todas as suas anteriores aventuras.

HAV de Jan Morris

HAV de Jan Morris

Jan Morris ofereceu-nos a cidade de HAV, situada algures na Europa, na encruzilhada de várias civilizações e refém da sua condição de refúgio de grandes personagens do século XX. Correm rumores que HAV foi edificada em cima da antiga cidade de Tróia, capturada e saqueada pelos cruzados, reconquistada por Saladim e posteriormente povoada por Italianos, Gregos, Árabes, Alemães, Russos e por muitas outras nacionalidades e até pelos últimos trogloditas conhecidos. Serviu de porto de abrigo a Richard Burton, Chopin, Tolstoy, Grace Kelly, Lady Di e crê-se que também Hitler pernoitou por lá. Jan Morris deambula por esta cidade imaginária do mediterrâneo oriental com uma elegância incomum e uma verosimilhança capaz de nos enfeitiçar e hipnotizar com consequências irreparáveis para a nossa imaginação.

WESTEROS de George R. R. Martin

WESTEROS de George R. R. Martin

Westeros é o continente que dá abrigo aos 7 reinos das crónicas do Gelo e do Fogo do ficcionista norte americano George R. R. Martin. Adaptada para televisão com o título “A Guerra dos Tronos” (título do primeiro volume da saga) foi um estrondoso sucesso mundial e, seguramente, já ocupa um lugar de grande destaque entre as grandes obras de ficção científica e fantasia. Terra mágica, de personagens ambíguas, dragões devastadores e verões e invernos que duram vários anos, Martin construiu um ambiente inspirado na idade média europeia, com pormenores verdadeiramente surpreendentes. As personagens principais são mortas sem piedade, os bons afinal são maus e vice-versa, aliás como na vida real. A crueza das suas descrições e a liberdade na exploração dos sentimentos e das ações das personagens, fazem desta saga uma formidável viagem a mundos que provavelmente já existiram, mas que, felizmente, acabaram por se extinguir, ficando apenas como uma recordação da nossa memoria coletiva.

TERRA MÉDIA de J.R.R. Tolkien

TERRA MÉDIA de J.R.R. Tolkien

E Tolkien criou a Terra Média para que todos nós pudéssemos desfrutar das aventuras do senhor dos Anéis. Pouco falta para que esta extraordinária criação seja centenária e a sua construção é tão sólida e consistente que continua a encantar pessoas em todo o mundo. Quem quer eliminar os Elfos e os Hobbits das suas vidas? Quem é louco o suficiente para não sucumbir a esta magnífica viagem entre terras de fogo, aranhas gigantes e seres encantados? Todo um universo foi criado a partir desta poderosa obra de ficção e toda uma geração foi influenciada pela imaginação e capacidade fraturante deste criador de mundos. Depois da criação da Terra Média tudo mudou… E ainda bem!

GOTHAM CITY de Bob Kane e Bill Fringer

GOTHAM CITY de Bob Kane e Bill Fringer

Emulação da cidade de Nova York, Gotham é uma cidade povoada de vilões e pesadelos negros e tenebrosos que nós bem nos esforçamos por contê-los na nossa imaginação, mas que sabemos que poderão estar mesmo ao virar da próxima esquina. Terra de super-vilões e lar do Batman, único super-herói sem super-poderes, Gotham é como uma madrasta que apesar de má e cruel, exerce sobre nós um fascínio indecifrável. Gotham está bem guardada por Batman, mas isso não é suficiente. Gotham é bonita vista de longe, preferencialmente com o foco de luz do morcego bem visível.

SPRINGFIELD de Matt Groening

SPRINGFIELD de Matt Groening

Os Simpsons vivem em Springfield, uma pequena cidade situada algures nos Estados Unidos e facilmente reconhecível pela sua central nuclear, pelo seu letreiro semelhante ao de Hollywood e, claro, pelo bar do Moe. Quem não se divertiu com estas incomparáveis personagens criadas por Matt Groening, e que nos têm acompanhado ao longo de mais de 20 anos? Ainda hoje, Bart, Hommer, Lisa e companhia continuam bem vivos e com uma vitalidade anormal para a sua idade. E ainda bem. Os Simpsons conseguiram uma grande proeza de se imiscuírem na nossa vida e na nossa cultura ao longo de várias gerações. Se houvessem viagens para Springfield, certamente iriam encontrar-me lá a beber uma cerveja com o Hommer no bar do Moe enquanto os meus filhos estariam a andar de skate com o Bart e a tocar trompete com a Lisa.

NEO TOKYO de Katsuhiro Otomo

NEO TOKYO de Katsuhiro Otomo

Neo Tokyo é uma enorme cidade construída em cima de uma ilha artificial na baía de Tóquio, após o fim da terceira guerra mundial, que eclodiu em 1988 após uma enorme explosão que destruiu totalmente a cidade de Tóquio. O responsável por esta explosão foi uma criança com poderes psíquicos incontroláveis e que, para segurança da humanidade que resta, encontra-se em total reclusão, algures em Neo Tokyo. Esta criança é Akira e o seu criador proporciona-nos uma distopia poderosa e impressionante ao longo de um épico de banda desenhada com mais de 2.000 páginas. Um local feio, sujo, cruel e miserável, mas com uma capacidade invulgar de nos impressionar e fazer com que nunca mais voltemos lá. Esta é uma viagem que não queremos que se torne realidade.

Conheça o Edifício Martinelli

Muitos dizem que São Paulo é apenas uma grande metrópole, feia, cinzenta e sem brilho algum, mas a verdade é que muitos também desconhecem o passado glorioso da cidade mais rica do Brasil, e atualmente o maior pólo financeiro da América Latina. A capital paulista é recheada de pontos emblemáticos, históricos, curiosos e pitorescos. Em cada canto uma história, uma lenda urbana, um registro de grandes obras, muitas delas realizadas por imigrantes europeus que lá desembarcaram em busca de prosperidade.

Assim começa a história do Edifício Martinelli, que recebe com visitas préviamente agendadas,  grupos turistas de todo o mundo. Em 1889 chega a São Paulo, o imigrante Italiano Giuseppe Martinelli com o sonho de fazer fortuna na América. Não era América do Norte, era América do sul, mas vá lá, milhares de imigrantes chegavam a São Paulo com esse sonho e onde centenas fizeram grandes fortunas, dentre eles o jovem Giuseppe Martinelli.

Giuseppe, após 20 anos já tinha construído um patrimônio considerável, e ávido por deixar um legado mais permanente de seu trabalho, além de sua importante empresa de navegação em Santos, o então já Comendador Martinelli,  decide erguer na cidade São Paulo o mais alto arranha-céu da América do Sul, o Edifício Martinelli.

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Edifício Martinelli – Fotos Site Oficial – Direitos Reservados ©

Grande polêmica se formou, dado que a cidade naquela época apenas possuía edifícios com no máximo 5 andares, porém a construção do Prédio Martinelli deu-se em início de 1924, levando avante um projeto que pretendia construir um prédio com mais de 100 metros de altura, inicialmente apenas com 12 andares. O local escolhido era um dos pontos mais nobres e caros da cidade, entre as ruas São Bento, Líbero Badaró e avenida São João.

Toda a envolvência da construção foi detalhadamente pensada e criada por grandes profissionais na área de construção civil, contando com a colaboração de mais de 600 operários. Sendo 90 artesãos, italianos e espanhóis, que cuidavam do esmerado acabamento. O comendador investiu em materiais nobres como mármores importados da Europa, espelhos e cristais Tcheco, papéis de parede especiais, etc.

A construção foi demorada e o comendador Martinelli entusiasmado com  a obra passava a desejar um prédio ainda maior, e cada vez mais acrescentava mais andares ao projeto. Ao fim contou com 30 andares, sendo os 5 últimos andares destinados a sua residência. Foi entre 1934 e 1947 o maior arranha-céu do país e, durante um tempo, o mais alto da América Latina.

Já na década de 1960, o Edifício Martinelli entra em total decadência, foi invadido por pessoas de baixa renda,  transformando-se  num dos lugares mais tenebrosos para se viver; sendo inclusive palco de alguns crimes que tiveram grande impacto na sociedade paulistana.

A história do Edifício Martinelli é longa e eu sugiro uma visita ao site oficial caso tenha interesse em conhecer mais.

O Prédio Martinelli é tão grandioso que possui três entradas:
– R. São Bento, 397 a 413
– Av. São João, 11 a 65
– R. Libero Badaró, 504 a 518

Horários:
Seg a sexta 9:30 as 11:30 e 14:00 as 16:00
Sabados das 9:00 as 15:00 e domingos das 9:00 as 13:00

Entre em contato pelo Tel: (11) 3104-2477

Os mínimos denominadores comuns de uma cidade

Hoje o Bigviagem traz para vocês mais um artigo colaboração de  Pedro B. que novamente nos leva a uma grande viagem emocional e também imaginária. Sem dúvida que vos levará a dedicar algumas horas do seu dia a pensar sobre qual a sua opinião acerca dos mínimos denominadores comuns de uma cidade. Eu ainda estou cá a pensar nos meus! 😉

Os mínimos denominadores comuns de uma cidade

Os mínimos denominadores comuns de uma cidade

Do nosso espólio de memórias de viagens sobram sempre recordações especiais, sejam elas positivas ou negativas. Este processo de arquivo e recoleção é um processo involuntário e funciona muitas vezes ancorado no nosso estado de espírito. Embora o nosso cérebro tenha capacidade de gravar praticamente todos os momentos que vivemos, a nossa capacidade de processamento não é suficiente para acompanhar esta incrível proeza, gerando-se então um processo de eliminação e seleção que dá origem àquilo que chamamos de memória, ou à falta dela.

Reconhecer e pensar nesta mecânica quando estamos a viajar não serve de nada, pois no momento da viagem estamos a receber, em bruto, uma quantidade enorme de estímulos, cuja conversão momentânea apenas nos serve para gerar momentos de prazer, de alegria, de terror, de amor, de medo, de uma série de estados de alma que cumprem a função de nos munir de ferramentas para gerir aquele momento.

Mas o momento seguinte também é muito interessante, pois, imediatamente antes acumulamos uma nova experiência que muitas vezes nos vai ditar, de uma forma voluntária, mas, principalmente, de uma forma involuntária, como vamos reagir a outras situações que se nos deparam. Pensar neste processo e tentar descodificá-lo é extremamente cansativo e improdutivo. Tentar perceber os seus rudimentos pode ser interessante para potenciarmos momentos e quem sabe, conseguirmos contrariar ou influenciar, o processo involuntário de recolha de memórias.

Mas as coisas tornam-se verdadeiramente interessantes, quando concluímos uma viagem, regressamos a casa e fechamos um determinado processo. A partir deste momento, as recordações desta viagem formam-se e passam a fazer parte integrante da nossa vida, da nossa personalidade. A minha pessoa passa a ser uma pessoa diferente em função da recordação das experiências vividas durante uma determinada viagem. Por exemplo, quando visitei Nova York em 2000, atravessei a ponte de Brooklyn à noite, a pé. Embora, hoje em dia, milhares de turistas usufruam, a todas as horas, deste maravilhoso ícone de Nova York, na altura em que o fiz, ninguém se atrevia a tentar esta “proeza”, por inúmeras razões ligadas, principalmente, à segurança. Nas minhas descrições desta viagem, inclui sempre este “feito” e os meus interlocutores abriam a boca de espanto em consequência desta ousadia. Esta ousadia conferiu-me novas características de personalidade junto dos meus amigos.

Estes “pequenos nadas” ganham uma importância desmedida quando pensamos neles e podem determinar, por exemplo, se conquisto uma pessoa ou não, se estendo uma conversa, se sou convidado para prolongar um determinado momento. E em consequência disso mesmo, a minha auto-estima vai sendo consolidada e formada, levando-me a que seja uma melhor ou pior pessoa, mas definitivamente diferente do que era há momentos atrás.

Por isso interessa, de alguma forma, investir em momentos que, de facto, possam contribuir para que uma determinada viagem, uma determinada experiência, sejam benéficas para a minha pessoa. Arrisco-me a chamar a este processo qualquer coisa como “potenciação do momento”. E para estarmos preparados para identificarmos este momento, temos que saber dosear bem os “imputs” emocionais e racionais. Emocionais serão aqueles que são condicionados pelo momento, ou seja, carecem de qualquer programação ou previsão. Os “imputs” racionais serão aqueles que estão pensados à partida, que nos preparamos para eles e cujo decorrer da experiência depende mais de nós próprios do que das variáveis associadas.

Nada poderemos fazer quanto aos emocionais, nem devemos, mas quanto aos racionais podemos, certamente, meter a nossa “colherada”. A sistematização e a aprendizagem deste processo racional iniciaram-se em mim, aquando da primeira vez que visitei Londres. A viagem de avião tinha corrido muito mal, pois os voos atrasaram-se mais de 5 horas no aeroporto de Lisboa. Como se não bastasse, levei mais de 2 horas a recuperar as bagagens em Heathrow. Apanhei o metro para o centro de Londres e quando saí, carregado de malas, na estação de metro indicada, estava a chover e, claro, não encontrei o hotel. Levei mais de 1 hora a andar a pé até encontrar o hotel, que era francamente mau, feio e cheio de empregados mal dispostos.

Coloquei as infernais e pesadas malas no quarto e saí para jantar num restaurante ali perto. Estava cansado, saturado e com uma péssima impressão da cidade e dos seus habitantes. Como se não bastasse, o restaurante que escolhi foi palco de uma operação policial de grandes dimensões. Juntei o medo ao meu portfolio de sensações londrinas. Fugi dali e encontrei um extraordinário restaurante que me serviu um prato que não me lembro (lá está o tal processo seletivo de memória) e pude, finalmente, contemplar aquela cidade em paz e de barriga acomodada. No meio daquele momento de conforto não me consegui conetar com Londres, até ao momento em que ouvi uma sirene de ambulância. Ao ouvir esta sirene involuntariamente descansei a minha consciência, pois estava numa grande metrópole. Aquela sirene foi o meu “wake up call”. A partir daquele momento só guardo boas recordações de Londres.

O som da sirene das ambulâncias passou a ser um dos meus denominadores comuns a qualquer cidade. Quando os ouço, descanso pois tenho a certeza que estou numa cidade a sério, numa cidade que vai de encontro às minhas expetativas. É estranho, não é? Por isso é que é involuntário. Mas este é um processo muito próprio e que só a mim diz respeito. Houve ali, em Londres, qualquer processo que se desencadeou em mim que passei a comparar sirenes de ambulância a momentos de conforto urbano. Não parece muito saudável, é certo, mas, para mim, é inultrapassável. Na verdade preferia infinitamente mais que estes meus denominadores comuns de uma cidade estivessem ligados, por exemplo, a estilos arquitetónicos, ou à botânica, ou mesmo a um determinado clima social. Mas não estão. Estão ligados a sirenes de ambulâncias. Que grande partida que a minha consciência me pregou.

Lanço-lhe o desafio, caro leitor, de tentar descobrir os seus próprios mínimos denominadores comuns de uma cidade. É um processo interessante e tenho a certeza que irá gostar de o fazer. Se quiser partilhe com todos os outros leitores do Bigviagem. Iremos descobrir coisas interessantíssimas e despoletar ligações nos nossos processos mentais que julgávamos impossíveis.

A art-appeal de Lisboa

Hoje o Bigviagem traz para vocês mais um artigo do nosso colaborador Pedro B. que vos dará uma visão sobre Lisboa numa perspectiva diferente. Muitas pessoas acham que Lisboa é só história antiga, mas engana-se, Lisboa tem muitas vertentes e quase sempre surpreendentes pela positiva.

Infelizmente em Lisboa, e em muitos outros locais de Portugal, o que não faltam são prédios devolutos, os motivos são os mais variados, o dono faleceu e não tem herdeiros, os herdeiros estão em luta judicial para saber com quem fica a parte melhor da herança , um dos herdeiros se recusa a assinar documentos para liberação do prédio, e por aí vai. Felizmente, na minha opinião, grandes artistas decidiram mostrar sua arte nas fachadas destes prédios devolutos. Eu gosto, e você? Bem, vamos ao artigo de Pedro B. abaixo…. 😉

A art-appeal de Lisboa

Como morador e cidadão da cidade de Lisboa sinto-me um privilegiado quando percorro as suas ruas e sou impactado pelas inúmeras pérolas de arte urbana que ao longo dos últimos anos tem invadido as suas fachadas de prédios e estruturas abandonadas.

Foto de Stick2target - Fonte Alexandre Farto
Foto de Stick2target – Fonte Alexandre Farto

A obra que vos apresento em cima cruza-se comigo quando pego na minha bicicleta para fazer os quilómetros que o meu corpo me pede quase diariamente. Fico sempre entusiasmado quando passo por ela e não consigo deixar de esboça um sorriso entrecruzado com um “ohhh” de admiração. Sou mesmo um sortudo não acham?

Ao longo dos últimos 10 anos a arte urbana ganhou um fôlego impressionante. Hoje em dia este tipo de arte concentra grande parte da atenção não só da comunidade artística, mas também do público em geral. Embora seja um fenómeno com alguns anos, a sua verdadeira afirmação só se deu no início deste século, a reboque de um conjunto de artistas, cuja obra mais notável foi da responsabilidade do artista de rua inglês Banksy.

Bansky-Flower
Fonte: Popular Resistance

O legado de Banksy não é só gráfico. As suas intervenções contêm mensagens poderosas e universais, capazes de nos tocar a todos, impregnadas de uma atualidade e contemporaneidade pensadas para resistir ao tempo e para nos fazer rir e sorrir. E esta comicidade faz com que a fruição do objeto de arte seja um momento de verdadeiro prazer, retirando a aura de sacralização que envolve as obras-primas.

Tornaram-se uma espécie de clássicos instantâneos e, de alguma forma, revolucionaram o mundo da arte, pois, não só, foi capaz de catapultar uma nova classe de artistas que viviam na clandestinidade, como também acrescentaram, como nenhum outro artista ou movimento artístico, a noção de efémero à arte. Faz sentido pensar em arte de rua que dure para sempre? Penso que não, e isso acrescenta uma noção interessante quer à obra, quer ao próprio momento de arte.

E felizmente para mim e para todos os Lisboetas, a nossa cidade está muito bem apetrechada destas obras efémeras e que certamente vão ser um dos fatores que caracterizam a Lisboa do início do século XXI. Felizmente também para a grande quantidade de turistas que hoje em dia usufruem das belezas e prazeres desta cidade, na qual, tenho a certeza, junto aos pasteis de Belém, ao mosteiro dos Jerónimos e outros ícones conhecidos, a arte urbana também é um dos principais chamarizes e responsável pela construção de um imaginário universal da cidade de Lisboa.

Fonte: Alexandre Farto
Fonte: Alexandre Farto

O mais notável dos artistas de arte urbana portugueses é, sem dúvida, Vhils. Detentor de uma técnica revolucionária e original, Vhils vai destruindo as paredes até elas formarem imagens verdadeiramente impressionantes e poderosas como esta aqui em cima. Reconhecido em todo o mundo, Vhils é, nos dias que correm, um fenómeno mundial, com obras presentes nas principais cidades e com exposições e monografias dedicadas à sua obra. Cruzo-me com várias diariamente e não consigo deixar de olhar para elas sempre com renovada admiração e espanto. Não resisto em colocar mais um exemplo da sua obra neste artigo.

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Fonte: Alexandre Farto

Esta relação íntima da cidade de Lisboa com a arte urbana teve um grande impulso com a intervenção de uns artistas brasileiros numa das suas principais avenidas, a convite da câmara municipal e Lisboa. Os Gêmeos presentearam a nossa cidade com intervenções impressionantes em edifícios abandonados. Quando as vi pela primeira vez, fiquei absolutamente impressionado. Estas intervenções ainda hoje existem e caracterizam a cidade de Lisboa.

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Fonte: The Guardian

Desde então a arte urbana tem florescido a uma velocidade impressionante em Lisboa. O seu reconhecimento por parte das autoridades e do poder político também é evidente e a reboque deste novo fôlego têm surgido artistas e intervenções de cortar a respiração.

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Fonte Urban Art Photos – C215 ©

E quem ganha com isso somos todos nós. Os que moramos em Lisboa, pois temos uma cidade muito mais bonita, e os que vêm visitar Lisboa que usufruem de uma nova dimensão de Lisboa… e tudo isto gratuitamente, sem filas e muitas vezes fruto de um acaso.

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Fonte: Obvious

Aproveitemos, portanto, este momento único da cidade de Lisboa, pois o efémero desta arte irá fazer com que estas obras-primas em breve se transformarão apenas em memórias ou pixéis de uma imagem captada para a posteridade.

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Fonte: Trek Earth
1- Fonte: Parqmag 2- Fonte: Urban Photos 3- Fonte: Lilablogade
1- Fonte: Parqmag
2- Fonte: Urban Photos
3- Fonte: Lilablogade

É o “art-appeal” de Lisboa que está ao rubro!

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Fonte: Wander Tooth

Boas Festas à todos

Queremos desejar à todos os leitores, leitoras, parceiros e parceiras do Bigviagem, Boas Festas.

Feliz Natal e um 2015 recheado de coisas boas, paz, amor, união, sucesso, prosperidade e muitas alegrias.

O nosso muito obrigada pelas visitas, comentários e sugestões!

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Ecoturismo – Turismo Sustentável

Hoje o Bigviagem conta mais uma vez com a gentil colaboração de Pedro B. acerca de um tema muito procurado por viajantes das mais diversas faixas etárias – Ecoturismo – Turismo Sustentável.  Um tipo de turismo que na minha opinião  proporciona uma experiência transcendental  e inesquecível.

Ecoturismo – Turismo Sustentável

Segundo a EMBRATUR, o Ecoturismo é um “segmento de atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o património natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações envolvidas” (fonte: wikipedia). É uma definição inspiradora, lógica e muito pedagógica.

Para termos necessidade de uma definição desta natureza e da criação de uma categoria específica de turismo – o ecoturismo – é porque algo que fizemos anteriormente não correu muito bem. Considero uma definição deste calibre como algo que deveria ser natural, inato à condição humana, lógica para quem opta e pode viajar. Mas, claramente, não o é, pois, não só houve necessidade de se criar uma categoria específica, como toda uma nova indústria floresceu a partir dela, uma indústria que se apresenta como detentora de epítetos e de novos “modus operandi” que nos deveriam ser naturais.

Mas mais do que criticar, importa tentar perceber como chegamos até aqui. O fenómeno do turismo é, na verdade, um fenómeno recente. Floresceu a partir dos anos 50 com o desenvolvimento dos transportes aéreos e da afirmação da classe média, inicialmente nos Estados Unidos e depois na Europa e no Japão.

Desde há poucos anos para cá, já contaminou outros países com o Brasil, a Rússia, a China e a Índia, entre outros. Não que não houvesse turismo antes, ou que nestes últimos países apontados ninguém tinha acesso a viajar e a desfrutar de outras partes do globo. Sempre houve em todo o lado. A grande diferença é a capacidade de oferta e de procura ser generalizada, motivando assim uma indústria relevante e muito dinâmica. E esta dinâmica, esta democratização do turismo levou-nos a termos como “turismo de massa”, especialmente desenhado para a classe média, menos exigente e assente na vertente do baixo custo. Isto soa como um detalhe altamente negativo, mas não o é. Uma sociedade que tem a capacidade de proporcionar turismo à maior parte dos seus integrantes é altamente recomendável.

Mas isso também traz custos. Existe uma passividade latente nos programas promovidos pelos operadores de viagem, onde o que importa é proporcionar momentos de lazer sem qualquer preocupação com o meio ambiente ou social. O baixo custo associado a estes programas faz com que os modelos de negócio estejam assentes em quantificação para que consigam gerar lucro e sejam sustentáveis economicamente, lamentavelmente, o único pilar de sustentabilidade analisado pelos principais atores no mercado turístico.

Mas, no meu entender, tudo isto foi e é necessário. Ter a oportunidade de viajar, de sonhar com destinos de sonho, de escolher entre várias partes do globo é um privilégio e mal de mim se não o desejasse para todos os povos do mundo. É maravilhoso conhecer outras culturas, outros códigos e hábitos, outros habitats naturais. E foi o desenvolvimento deste turismo de massa que nos proporcionou todo isto.

E não só as viagens. Presentemente Lisboa é uma das cidades mais procuradas no mundo, com ótimas críticas em todos os meios especializados e uma população turística permanente muito relevante. Tão relevante que o bairro típico onde moro tem mais turistas do que residentes, não só na rua, mas também instalados em dezenas de hotéis, hosteis e casa particulares veiculadas através do Air B&B. Tal era impensável há 10 anos atrás. Lisboa era dos Lisboetas e de vez em quando, principalmente no verão, lá víamos um casal de alemães louros perdidos nas ruas labirínticas de um bairro popular. Hoje em dia, são os Lisboetas que se perdem nos intermináveis labirintos de turistas. E ainda bem. Lisboa é, de facto, uma cidade extraordinária e toda a gente merece conhecê-la. Foram criadas condições para o desenvolvimento de uma nova economia assente na oferta de produtos e serviços a esta nova população. Com a terrível crise que se instalou em Portugal, o desenvolvimento desta nova economia foi a salvação de muitos. E proporcionou novos padrões que Lisboa estava a precisar. Descaracterizou-a um pouco é certo, mas isso é aos nossos olhos de Lisboetas. A todos os que quiserem visitar Lisboa, não se preocupem, pois a sua autenticidade ainda está intacta.

Acredito pois, que esta fase de turismo de massa é, na verdade, uma primeira fase onde se desenvolveram os mecanismos necessários para pôr esta indústria do turismo a funcionar. Entrámos agora na 2ª fase, onde nos começamos a interrogar sobre uma série de coisas que antes não prestávamos atenção, pois o nosso foco era conseguir viajar, seja de que forma for. Agora que já estamos de “barriga cheia”, ou seja, já experienciamos o ato de viajar, de “turistar”, começamos a procurar novos estímulos, e os operadores de mercado sabem muito bem. E eis então que surgem estas novas categorias, envolvidas num manto de sedução irresistível, com novos argumentos assentes no respeito e sustentabilidade dos meios circundantes, sejam eles ambientais ou sociais. A mim agrada-me este tipo de apelo, desejo-o para mim. Mas se fizer uma reflexão mais atenta e profunda, reparo que todos os argumentos utilizados são lógicos e naturais. Não poderia pensar de outra forma.

Já os tinha esquecido? Certamente que sim, caso contrário não me teria entusiasmado com estes novos eco-produtos. Por isso vos digo, caros leitores, que apesar da aparente futilidade inerente a estes produtos, eles são necessários e importantes. Necessários porque na verdade nos proporcionam novos modos de turismo e importantes porque nos fazem refletir sobre um conjunto de considerações que embora nos sejam naturais, estavam, há muito, esquecidas.

Quanto a sugestões de eco-turismo, deixo nas mãos da Kátia Pinheiro.

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Praia da Feiticeira – Ilha Bela (Foto do site http://www.ilhabela.com) ©

Ok Pedro B, vamos então a elas.

Aqui vão minhas sugestões que tem tudo a ver com ecoturismo:

Jalapão

Mato Grosso

Pantanal

A minha preferida? Sem dúvida alguma: – Ilha Bela

Almada promove mercado de Natal sustentável e solidário

Se você está em Portugal a esta altura do ano, que tal conhecer o Mercado de Natal Amigo da Terra em Almada? O evento decorrerá de 17 a 21 de Dezembro de 2014 e encontra-se em sua 11ª edição. A entrada é gratuita e será uma grande oportunidade de encontrar sugestões de presentes de Natal originais e amigos das pessoas e do ambiente. Os visitantes terão também à sua disposição um conjunto de oficinas gratuitas onde é possível aprender a construir as próprias prendas, reutilizando materiais e poupando no orçamento familiar.

Mercado de Natal Amigo da Terra

Para tornar possível o acesso às propostas presentes à maioria das bolsas, todos os stands presentes foram desafiados a ter uma sugestão de oferta de Natal que não ultrapasse o valor de 1,00 €.

A iniciativa, organizada pela Câmara Municipal de Almada, decorre na Praça S. João Baptista e na Oficina de Cultura, em Almada, e contará com a presença de artesãos, designers e criadores de todo o país, bem como de instituições de solidariedade do concelho

Horário:
Dia 17 (quarta-feira) – 17H30-21H00 – Inauguração oficial
Dia 18 (quinta-feira) – 12H00-21H00
Dias 19 a 21 (sexta a domingo) – 12H00-22H00

Local:
Oficina de Cultura e Praça S. João Baptista, Almada Centro
Av. D. Nuno Álvares Pereira, n.º 14 M
2800-174 Almada
Coordenadas GPS: 38o 40.757’ N/ 9o 09.459’ W

Museu da Cerâmica de Caldas da Rainha

Caldas da Rainha é famosa em Portugal pelas suas artes, e isso deve-se em grande parte por Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905), famoso artista português, ter começado nesta cidade em 1885,  a produção de louça artística na Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha.

As louças ou cerâmicas de Caldas da Rainha são conhecidas em todo o país e nos exterior, e quem visita a cidade não vai embora sem levar uma peça especial que pode ser o Zé Povinho, personagem criado por Bordalo ou algum símbolo fálico escondido por debaixo de algum personagem popular, ou as famosas peças de mesa (aparelhos de jantar) em forma de couves, legumes e frutas.

Saiba mais sobre as tradições da cidade em: – CM Caldas da Rainha

Zé Povinho
Zé Povinho – Wikipédia

Para além das várias lojas de cerâmicas situadas em frente ao Parque D. Carlos I,  local histórico de Caldas (projetado pelo arquiteto Rodrigo Berquó em 1889), os turistas poderão visitar o bélissimo Museu da Cerâmica localizado na Quinta Visconde de Sacavém, na freguesia de Nossa Senhora do Pópulo.

Museu da Cerâmica na Quinta Visconde de Sacavém
Museu da Cerâmica na Quinta Visconde de Sacavém ©

O imóvel onde está situado o Museu da Cerâmica foi construído na década de 1890 pelo 2º visconde de Sacavém, José Joaquim Pinto da Silva, colecionador, ceramista e mecenas dos ceramistas caldenses. No local esteve ativo entre 1892 e 1896, o Atelier Cerâmico, dirigido pelo escultor austríaco Josef Füller, o atual museu foi criado oficialmente em 1983.

Atualmente o local recebe visitantes de todo Portugal e do exterior, que desejam conhecer um pouco da cultura e da arte de Caldas da Rainha, bem como as coleções representativas de centros cerâmicos nacionais e estrangeiros; o destaque como é óbvio fica por conta das obras de Bordalo Pinheiro. O núcleo de cerâmica contemporânea inclui ainda peças de Artigas, Llorens Gardy, Júlio Pomar e painéis de azulejos e cerâmicas de Manuel Cargaleiro e de Cecília de Sousa.

O museu oferece exposições temporárias e oficinas de cerâmica abertas ao público em geral.

Horário do Museu de Cerâmica:
Terça-feira a domingo.
De Inverno:
10h00-17h30
De Verão:
10h00-19h00

Encerrado ao público à segunda-feira

Contactos
Rua Dr. Ilídio Amado – Ap. 97
2500-910 Caldas da Rainha
Portugal

Tel.: (+351) 262 840 280
Fax: (+351) 262 840 281

Museu do Automóvel Schlumpf – Mulhouse – França

Museu do Automóvel Schlumpf - Mulhouse - França

Quem é aficcionado por automóveis certamente vai adorar conhecer o Museu do Automóvel Schlumpf também conhecido como Cité de l’Automobile em Mulhouse, França. O local ocupa mais de 25.000 m², contendo mais de 400 modelos históricos e recebe mensalmente milhares de visitantes ávidos por conhecer melhor a história do automóvel.

Museu do Automóvel Schlumpf – Mulhouse – França

A coleção é dividida em 3 partes:

* Carros e Aventura
* Carros de Corrida
* Automóveis obras de Arte

A história do maior museu de automóveis do mundo é no mínimo curiosa, após o término da 2ª Guerra Mundial, dois irmãos Fritz e Hans Schlumpf , ambos empresários textêis, ricos, bem sucedidos com os negócios em pleno vapor e com uma paixão incomensurável por automóveis, começam a colecionar automóveis.

Museu do Automóvel Schlumpf – Mulhouse – França

Fritz  Schlumpf era apaixonado pelo famoso Bugatti e apaixonado por corridas de carros, em razão disto Fritz e seu irmão mais velho Hans decidiram colecionar carros. Fritz  Schlumpf não media esforços para aumentar a sua coleção, não se importando de pagar 10 vezes mais o preço que um carro valia somente para ter seu desejo satisfeito.

Em 1967 os irmãos tinham cerca de  105 Bugattis em sua coleção. A consequência de tantas extravagâncias  não teve um final feliz, no final de 1960 a empresa começou a entrar em crise, os funcionários começaram a se rebelar reinvidicando aumento de salários, e diante das notícias de que os irmãos  Schlumpf gastavam fortunas na coleção de carros, a situação foi se agravando e  os irmãos  Schlumpf  foram obrigados a declarar falência.

Atualmente após muitas aventuras e desventuras o Museu do Automóvel Schlumpf hoje é  mantido por inúmeros parceiros públicos e privados. O certo é que graças a loucura e megalomania dos irmãos Schlumpf é que hoje é possível se ter acesso a  história do automóvel no mundo. 🙂

Visite o site oficial: – Museu do Automóvel Schlumpf

Fonte: Wikipédia e Site Oficial

Casa da escrava Chica da Silva em Diamantina

Thaís Araujo interpretando Chica da Silva - Fotos Rede Manchete TV©

Tenho certeza de que você já ouviu falar da famosa escrava Chica da Silva, que viveu em Diamantina, antigo Arraial do Tijuco Preto. Filha de um relacionamento extraconjugal do português Antonio Caetano de Sá e da escrava Maria da Costa, Chica da Silva ficou famosa mundialmente e teve sua história narrada em livros, filmes e novelas brasileiras.

Thaís Araujo interpretando Chica da Silva – Fotos Rede Manchete TV©

Vejam fotos da casa da Chica da Silva no site: – Cidades Históricas

Veja abaixo cenas da novela “Xica da Silva” onde a atriz Thaís Araújo no papel de Chica da Silva, e Drika Moraes brilhantemente no papel de Senhorinha Violante:

Amante do português contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira, Chica, foi libertada por ele, e deste relacionamento nasceram 13 filhos. Antes do contratador Chica  da Silva, foi escrava do portuugês sargento-mor Manoel Pires Sardinha, com quem teve dois filhos, os quais foram educados na Europa.

Atualmente a antiga casa de Chica da Silva se transformou em um museu, e figura entre os mais belos exemplos de arquitectura do período colonial mineiro, trocando em miúdos, a casa de Chica da Silva era uma das residências mais caras e ricas da região.

Seu amante João Fernandes de Oliveira, viveu em sua companhia entre os anos de 1763 e 1771 nesta famosa casa, que foi totalmente remodelada em 1951; porém o  relacionamento durou 16 anos. A parte interna e a fachada da casa da escrava Chica da Silva é exatamente igual era no século XVIII.

Chica era dona de um gênio indomável, tida como uma mulher cruel,  exigia de seu amante  João Fernandes de Oliveira,  ouro, diamantes e pedras preciosas; o então  contratador, sabe-se lá porque cedia aos seus caprichos e desmandos. Tanto cedia, que a casa da escrava Chica da Silva tinha  vinte e um cômodos, uma capela particular para que ela orasse sossegadamente, um lago artificial e um teatro equipado com o que havia de mais caro e moderno para a época.

Chica da Silva se sobressaia na sociedade por frequentar a igreja local coberta por diamantes e acompanhada por 12 escravas vestidas e maquiadas luxuosamente, miminhos que o contratador português não se importava de pagar.

Depois da separação, João Fernandes voltou para Portugal levando consigo seus quatro filhos homens, que receberam títulos de nobreza do Império Português. Porém a gigantesca e luxuosa casa foi deixada para Chica da Silva e suas filhas; para além de uma polpuda renda e demais bens que a fizeram calar e permitir que o contratador voltasse à Portugal sem leva-la com ele.

Atualmente o Museu Chica da Silva exibe roupas e objectos pessoais que pertenceram à ela, bem como inúmeras obras de artes onde Chica da Silva aparece retratada com seu péssimo gênio e comentendo a lúxuria, um dos seus pecados capitais. Porém alguns historiados dizem que tudo que diziam de mal da ex-escrava era mentira, e que ela era uma senhora muito bem vista na sociedade local, e até tinha suas filhas a estudar no melhor educandário de Minas, pagando fortunas pela educação das mesmas.

Enfim…sabe-se lá o que é ou não verdade.  Estando em Diamantina, não deixe de visitar o local! 😉

Rede Manchete (Imagens)

Cruzeiros, o que ocorre numa viagem assim e quais as “diversões” que terei num navio?

Hoje o Bigviagem traz para vocês mais um brilhante artigo escrito por Pedro B., para mim um texto que a princípio me parecia um mero artigo  sobre viagens de navio, mas que ao meio já me fazia sentir-me encantada e inebriada  por tratar-se de um ode a vida.

Simplesmente único e que sem dúvida vai vos servir de inspiração para a próxima viagem! Vamos viajar na imaginação?

Cruzeiros - Viagens de Navio

Cruzeiros, o que ocorre numa viagem assim e quais as “diversões” que terei num navio?

Começo este artigo por vos dizer que o grau de percepção sobre as diversões durante um cruzeiro é inversamente proporcional à idade, ou seja, à medida que vamos envelhecendo, vamos encontrando mais motivos para fazer um cruzeiro. Falo por experiência própria. Esta regra não existe. É apenas uma sensação que faz parte das minhas coleções particulares de sensações.

Deixem-me contar-vos de uma forma muito breve a minha relação com os cruzeiros. Na infância foi um dos meus grandes objetivos: Piscinas, lojas e uma data de coisas brilhantes e luminosas que nos atraem a atenção e fazem-nos crer que esta é a melhor forma de se viajar e passar férias. Na adolescência, junte-se ainda a possibilidade de uma paixão fugaz a bordo e o pacote continua a ser atrativo e muito apetecível. Chegamos à idade adulta e a nossa perceção faz uma volta de 180 graus. Cruzeiros? Nem vê-los! Ficar fechado sem possibilidade de sair e bombardeado constantemente com obuses kitsch e ultrapassados? O pior pesadelo possível. Não definitivamente não! Passamos os 30 anos e mantemos a mesma opinião, mas agravada pelo fato que, ainda seremos obrigados a socializar de acordo com as regras próprias de um cruzeiro, pois já perdemos aquela irreverência própria dos 20 anos e que só fica mesmo bem aos 20 anos. Até aqui nunca tinha experimentado um cruzeiro.

Fui obrigado a experimentar o meu primeiro e único cruzeiro aos 31 anos quando viajei para o Egipto. Fui obrigado, porque já tinha feito mais de 5.000 km nos transportes públicos daquele país, tinha dormido em espeluncas inacreditáveis e já tinha evitado cerca de 10 intoxicações alimentares. Estava a precisar de algum luxo para me recompor para a minha última etapa. E assim, um pouco a contragosto, aceitei a sugestão dos meus companheiros de viagem, para navegamos no Nilo, em direção à fabulosa cidade de Luxor. Naquele momento estava no sul do Egipto, perto da barragem de Assuão e entrei a bordo de um dos famosos cruzeiros do Nilo. Levaria 2 noites e 3 dias até chegar a Luxor. No íntimo, desejava e sabia que estava mesmo a precisar daquele descanso, mas nunca me desmanchei para os meus companheiros, criticando os cruzeiros e fazendo troça de todo o universo associado a esta forma de viajar.

Foram 3 dias e 2 noites maravilhosas. Descansei, comi muito bem e experimentei sensações únicas, como sentir-me no meio do deserto. Foi incrivelmente revigorante e guardo ótimas recordações daquela viagem. O tempo num cruzeiro processa-se de forma diferente. Temos tempo de sobra para gerir e isso agradou-me. Consegui pôr a minha leitura em dia. Li páginas e páginas seguidas com o deserto em pano de fundo e quando o barco desligava os motores, pude experienciar o silêncio do deserto, que é magnífico.

Descansei verdadeiramente, falei de trivialidades com os meus companheiros, ri-me a bandeiras despregadas e visitei monumentos espantosos ao longo do trajeto. Mas desta vez não estava cansado, nem sujo de pó, nem esbaforido em calor. Estava cheio de energia e com uma capacidade de absorção de informação muito maior. Desfrutei muito mais daquelas maravilhas do Egipto antigo, porque, simplesmente, não me tinha de preocupar como voltar ou seguir em frente. Bastava ouvir o apito do barco sinalizando a sua saída dentro de meia hora.

Aquela viagem transtornou-me, porque destruiu um pouco a imagem que tinha formado acerca dos cruzeiros. Bom, convenhamos que as festas a bordo em que somos obrigados a conviver com os outros passageiros, e com o comandante, arrepiam-me e não me atraem nada. Nem subir a um palco em que realçam as minhas características enquanto turista português para a risada geral de quem assiste, nem sequer as brincadeiras da tripulação ou as aulas de hidroginástica ministradas por um “personal trainer” com um sorriso que não encaixa com a cara e um microfone que lhe nasceu da orelha.

Mas a serenidade que me foi imposta em todos os outros momentos compensou todos estes contratempos para a minha pessoa. Repito, para a minha pessoa, porque, na verdade, estes momentos têm sentido existir a bordo de um cruzeiro. E, na verdade, não são obrigatórios nos dias que correm. Ninguém me chateou ou perseguiu para ser parte integrante destes momentos.

E cheguei aos 40 com uma nova sensação. Bem lá no fundo, eu desejo fazer um cruzeiro. E pode ser daqueles muito pirosos. Não me importo. Quero recuperar aquela paz que vivenciei quando subia o Nilo e ter a possibilidade de contemplar a paisagem totalmente concentrado naquele momento. Quero por a minha leitura em dia. Gostava de reler o Corto Maltese do Hugo Pratt a bordo de um cruzeiro, ou os livros de viagem da Jan Morris sobre Veneza e Hav, esse país imaginado e verosímil. Gostava de ter tempo para combinar e pregar partidas aos meus amigos que me acompanhassem nessa viagem e experimentar todos os cocktails que o barman me conseguisse mostrar.

Gostava de ouvir o sussurrar do João Gilberto e do Chet Baker a sobrepor-se à ondulação, ou o requiem de Mozart em noite de tempestade. Gostava de ter tempo para frequentar o ginásio e recuperar a minha forma física, só porque tenho tempo para isso e também para fazer saunas e banhos turcos. Gostava de ter tempo para ler e reler os guias de viagem e assim poder preparar muito bem a minha próxima paragem. E de conhecer novas pessoas com vontade de me conhecer e de me divertir e dançar sem preocupação do dia seguinte.

Gostava de ter tempo para finalmente devorar “Em busca do tempo perdido” de Marcel Proust e gostaria de muito mais coisas só porque ali não teria qualquer desculpa para não as fazer.

Ainda não me sentiria atraído pela parte social que, normalmente, um cruzeiro nos proporciona. Mas ainda não cheguei aos cinquenta…

Parque de Inhotim – Museu a céu aberto

Você já ouviu falar do Parque de Inhotim? Situado no sudeste do Brasil, mais exatamente em Brumadinho (localizada no Vale do Paraopeba) em Minas Gerais, o local é considerado um museu de arte em céu aberto. É no Parque de Inhotim que está o Instituto Inhotim foi idealizado pelo empresário Bernardo Paz em meados da década de 1980. Para além de um rico acervo botânico, o Instituto Inhotim está repleto de obras de arte contemporânea, com cerca de 500 obras de mais de 100 artistas de 30 diferentes nacionalidades.

Tunga - True Rouge, redes, madeira, vidro soprado, pérolas de vidro, tinta vermelha, esponjas do mar, bolas de sinuca, escovas limpa-garrafa, feltro,bolas de cristal. - Foto site Oficial Instituto Inhotim ©
Tunga – True Rouge, redes, madeira, vidro soprado, pérolas de vidro, tinta vermelha, esponjas do mar, bolas de sinuca, escovas limpa-garrafa, feltro,bolas de cristal. – Foto Site Oficial Instituto Inhotim ©

O acervo botânico conta com 181 famílias botânicas, 953 gêneros e pouco mais de 4.200 espécies de plantas vasculares. O Inhotim possui o que se acredita ser a maior coleção mundial de palmeiras, com cerca de 1400 espécies/híbridos/variedades.

Para além de tudo isso, o Instituto Inhotim ainda tem suas instalações excelentes resturantes com categoria gastrônomica ímpar, viveiro educador e núcleo de pesquisa. O site oficial do Instituto Inhotim é riquíssimo em informação e nele é possível obter dados para a visitação.

John Ahearn e Rigoberto Torres - Abre a Porta, tinta automotiva sobre fibra de vidro, 530 x 1500 X 20 cm, 2006. Foto: Eduardo Eckenfels ?4 - Site Oficial Instituto Inhotim
John Ahearn e Rigoberto Torres – Abre a Porta, tinta automotiva sobre fibra de vidro, 530 x 1500 X 20 cm, 2006. Foto: Eduardo Eckenfels © – Site Oficial Instituto Inhotim

A fim de facilitar o acesso aos locais de visitação mais distantes,o Inhotim dispõe de um serviço de transporte interno, feito por meio de carrinhos elétricos, com três rotas predeterminadas, totalizando 3,4 km e horários definidos, saindo sempre que a capacidade de um carrinho estiver completa, ou seja, cinco passageiros. Também dispõe de rotas para pessoas com necessidades especiais em horários pré-agendados na recepção do Inhotim.

Saiba mais na entrevista: – Bernardo Paz

Dicas para quem vai mudar de país

Com frequência recebo muitos emails de leitores e leitoras que pretendem mudar de país (em especial para Portugal) e pedem dicas, sugestões, ou até mesmo querem saber como é viver aqui  em Portugal, o que vestir, o que comer, como é a cultura, etc. Diante de tantos pedidos decidi escrever um artigo sobre isso, mas antes de qualquer coisa quero deixar bem claro que trata-se apenas da minha experiência e opinião pessoal enquanto brasileira a viver em Portugal há quase uma década.

O ponto fulcral se você deseja mudar de país (seja Portugal, Espanha, França, etc) é estar aberto ou aberta para o novo, para novas culturas, para novas experiências e olhar com olhos de aprendizagem. O que é isso? Olhar com olhos de aprendizagem? Olhe, observe, aprenda, não tire conclusões precipitadas, seja respeitoso, você  não está no seu país. Aprenda a lidar com o diferente. Não queria obrigar que as pessoas façam, falem ou pensem como você.  Não discuta tentando provar seu ponto de vista, você não vai sair vencedor  na discussão!

Antes de expor alguns tópicos começo por enfatizar que cada pessoa é uma pessoa, cada ser vivencia um tipo de experiência de uma forma, portanto o que eu acho lindo, o meu vizinho pode achar horrendo, e vice versa. Digo isso apenas para dizer que conheço muitos brasileiros que vivem em diversos países e ao partilharmos nossas experiência pude concluir que são bastante diferenciadas entre si mas também com alguns pontos comuns. Por isso e por ter dito inicialmente que é APENAS a minha opinião pessoal, espero não receber aqui uma avalanche de emails “fofinhos” (ironia) a falarem um festival de besteirol, certo? Dito isso, vamos aos pontos principais, achei melhor dividir por tópicos para ficar mais fácil refletir e analisar cada um deles.

Dicas para quem vai mudar de país

Dicas para quem vai mudar de país

1- Calor humano e afetividade

Se você brasileiro ou brasileira pretende sair do Brasil e acredita que em outro país vai encontrar o mesmo calor humano que você tem em seu país, esqueça. Cada povo é um povo, cada cultura é uma cultura. Se no Brasil é “legalzinho” acabar de se conhecer e dar 2 ou 3 beijinhos, abraço ou algo similar, em outros países não é tão comum. Minha sugestão é que você antes de se soltar…observe. Isso vale para homens e mulheres. Para os homens contenham as brincadeirinhas, nem sempre são bem vistas. Para as mulheres contenham a simpatia, garanto que excesso de simpatia pode ser  mal interpretado, principalmente se notarem que você é brasileira.

2- Má fama do brasileiro e da brasileira

É real. Existe. Queiram ou não queiram, brasileiro em diversos países do mundo (e em diversos planetas espalhados pelas mais variadas galáxias)  tem fama de espertinho, malandro, que adora levar vantagem. Já a brasileira tem a fama de ser fácil, vulgar, oferecida, e destruidoras de lares. Sim, riam-se bastante, as brasileiras são responsáveis por destruirem o lar dos “bem casados”. Fazer o que né? Acho melhor não me aprofundar muito neste item, embora adorasse dizer aqui algumas verdades que alguns preferem não ver, mas deixa para lá.

3- Alimentação

Se você é esquisito ou esquisita com relação a comida, e só come a carne se for feita de um jeito, o arroz tem que ser roxo, o feijão tem que ser amarelo, a maçã tem que ser azeda….e supõe que em outro país você vai encontrar em abundância tudo que você come e está acostumado em seu país, desista. Como eu disse acima, cada cultura é diferente de outra e isso aplica-se também na gastronomia. Seja na França, no Japão, no Chile ou na Guatemala, cada povo tem seus alimentos próprios, suas comidas típicas,  e não adianta ter chilique porque você não vai encontrar seu prato preferido nos restaurantes e seus produtos preferidos nos supermercados. Portanto se quer morar em outro país terá que se adaptar, eu por exemplo não como carne vermelha há anos. Optei por carne branca já que aqui em Portugal eu não consigo gostar da carne vermelha que é servida na maioria dos restaurantes.

4- Remédios

Aqui farmácia é onde vende remédios, drogaria vende produtos de limpeza e alguns outros etcs…. Não sei em outros países mas em Portugal você só compra remédios com receita médica, com exceção apenas para paracetamol, ou algo leve. Remédios específicos e antibióticos só são vendidos com receita médica, e não adianta chorar, desmaiar, espernear: Não vende e pronto. Certo?

5- Roupas

Relativamente aos preços como sempre digo, eu acho que em Portugal tudo é muito mais barato que no Brasil e com qualidade superior, nisso incluem-se as roupas e sapatos. O que usar? Costumo dizer que em Portugal são 9 meses de frio e 3 de calor. As roupas compradas no Brasil, na minha opinião não tem capacidade para nos aquecer o suficiente. Por isso a dica é sempre para que deixem para fazer as compras de roupas de inverno aqui em Portugal.

No quesito comportamento as roupas são outro ponto importante. Para as mulheres sugiro que sejam mais discretas com relação aos decotes, a saias curtas, etc. Como disse acima,  um decote mais profundo pode dar margem para uma abordagem nada agradável e que certamente você não vai gostar do que irá ouvir, tanto das mulheres como dos homens.

6- Amor, paixão, devaneios e casamentos

Esses assuntos são temas de muitos emails que recebo. O que eu posso dizer é que no Brasil, no Canadá, na França, no Japão, na Indochina, em qualquer lugar do mundo há gente boa e gente má, há mentirosos e mentirosas, há pessoas de péssimo carácter e de bom carácter, há gente que trai e há gente honesta e íntegra, há os que não valem absolutamente nada e há os que são dignos e prezam a palavra dada, há os infiéis e há os fiéis, há homens casados e que tem duas ou três amantes, há mulheres casadas e que também traem.

Por isso e como podem ver a lista é bem longa e teria muito mais a dizer, mas não se pode generalizar, há de tudo infelizmente, o bom e o mau. O que posso dizer é que antes “viajar na maionese”, ou seja, antes de entrar em devaneio e achar que encontrou o seu príncipe encantado ou a sua princesa encantada….CUIDADO, a surpresa pode não ser nada boa (e quase sempre não é). A mentira tem perna curta, mas até você descobrir a verdade você vai ter quebrado bem a sua cara e se decepcionado bastante.

7- Idioma

Sou totalmente contra o acordo ortográfico, não importa pelo qual motivo isso foi decidido, acho um absurdo. Dito isto, começo por dizer que a língua mãe é o português de Portugal, todo o resto para mim é derivado. Em Portugal falam errado? Sim falam, especialmente quando soltam um “Disse-me à mim”, “colocação” esta que fere meus tímpanos. Deixando os que falam e escrevem errado porque felizmente são poucos os beócios e beócias que me deparo pela frente, em Portugal geralmente as frases são bem construídas e os verbos usados adequadamente. Já no Brasil não se pode dizer o mesmo. Nós simplesmente não falamos como eles. Temos nossas expressões idiomáticas, que refletem uma grande mistura e influência de outros povos como os indígenas, o espanhol e o italiano. Não vale muito a pena entrar em detalhes senão poderíamos desencadear aqui um incidente diplomático. Resumidamente você vai ouvir muitas vezes que o brasileiro não sabe falar, ou que você fala tudo errado. Portanto, finja-se de surdo ou surda se não quiser ter um enfarte.

8- Amizade

Geralmente as relações são meramente cordiais. Tenho amigos e amigas que moram na Itália, na Espanha e Inglaterra que dizem sempre o mesmo, ou seja, para se dizer que se tem uma amizade “a coisa é demorada”. O conceito de amizade é bem diferente do conceito que temos no Brasil. No Brasil é muito fácil iniciar uma conversa sem ser mal interpretado. No Brasil é fácil ir ao salão de beleza começar conversar com a “vizinha” de cadeira e logo nos tornarmos amigas e irmos tomar um café juntas ou até mesmo fazermos compras num centro comercial.

Aqui na Europa não é assim tão fácil. Este é mais um item que eu adoraria me aprofundar mas penso não ser positivo para o leitor. Embora o blog seja meu e eu possa falar o que me apetece, há alguns detalhes que não devem ser muito explícitos, se é que me entendem….

9- Pontualidade

O mundo inteiro pode não ser pontual com os horários, mas eu sou e exijo que sejam comigo. Odeio atrasos e abomino ainda mais quem falta com a palavra sem sequer dar uma justificativa convincente. Brasileiro tem fama de não cumprir horário, por isso esteja atento, eu já presenciei cenas em consultórios médicos e outros locais onde a pessoa se atrasou por 10 minutos e não foi atendida,  por isso se você quer ter seus direitos, cumpra com os seus deveres.

10- O jeitinho brasileiro

O famoso e tão mal falado jeitinho brasileiro. Esqueça isso em casa ok? Não pense que aqui em Portugal ou sei lá onde for, você  vai chegar e conseguir “jogar sua lábia” e conseguir convencer que te façam algo que seja ilegal ou que esteja fora dos parâmetros de conduta estipulados pela empresa ou pela repartição pública. Pode haver corrupção em altos escalões, isso é outra história. Mas por amor de Deus esqueça o jeitinho brasileiro dentro da gaveta em sua casa. Aqui não funciona ok?

11- Comportamento

Outro dia estive em Óbidos e me deparei com diversos turistas brasileiros em excursão. Gente, eu tive vontade de me esconder no primeiro buraco que tivesse no chão. Era uma verdadeira balbúrdia! Uns gritavam, outros riam, atrapalhavam todo mundo porque queriam tirar foto a cada metro que andavam. Por favor, pelo amor da SANTA, se você é brasileiro ou brasileira, não precisa sair gritando pelas ruas, tão pouco falando alto nos restaurantes ou supermercados só para mostrar que você é estrangeiro. Ninguém, mas é que absolutamente ninguém está interessado nisso. É feio, é deselegante, é ridículo e só mostra que você nunca saiu do seu país e agora que saiu quer gritar aos 4 cantos que é brasileiro. Poupem-nos de sermos mais “avacalhados” do que já somos, certo?

12- Educação

Educação. Outro tema que daria um livro. Pessoas sem educação, existem? Sim, muitassssssssssss, toneladas delas. Pessoas estúpidas, grosseiras há em todo e qualquer lugar, e aqui não é diferente. Se você acha que vai chegar no restaurante e que o garçom vai perder tempo com você a explicar cada um dos pratos, esqueça.

Se você acha que basta um sorrisinho para obter a atenção de quem quer que seja, engana-se ainda mais. Mais vale um bom dia ou boa tarde bruto, curto e direto do que florear muito e logo a seguir você levar um belo de um coice na cara. Seja objetivo, seja objetiva, não esqueça as palavras mágicas: Bom dia, com licença, por favor e muito obrigada.

Antes de ir a um local pense, qual o seu objetivo, o que você deseja? Foque no que pretende e siga em frente. O “floreamento” que há no Brasil nem sempre é importante (ou bem visto) em outros países, ao contrário, se você demorar muito para escolher corre o risco de ficar plantado a espera de quando for possível…..Seja cordial, educado, e gentil dentro do normal.

13- Intimidades no tratamento

O TU é utilizado em Portugal quando se tem intimidade com a pessoa. Caso a pessoa em questão não seja seu colega de trabalho, ou caso a pessoa não lhe diga para trata-la por TU, trate-a por VOCÊ. O VOCÊ é sinal de distanciamento. Se a pessoa tiver uma certa idade trate-a por SENHOR ou SENHORA. Outra coisa aqui em Portugal existem alguns tipos de tratamento diferenciados relativamente a profissão: Se for engenheiro, trate-o por Sr. Engenheiro. Se for arquiteto,  trate-o por Sr. Arquiteto. Nos demais casos onde a pessoa tem uma formação acadêmica, trate-a por Doutor ou Doutora. Isso em Portugal é importante, portanto procure antes se informar para não cometar gafes.

14- Falsidade, hipocrisia, ironia

Alguns povos usam de ironia para dizer algumas coisas, ou usam de jogo de palavras para dizer algo que não lhes agrada. Garanto que aqui em Portugal você vai ouvir várias, até porque alguns acham que ser irônico é sinônimo de ser inteligente. Portanto, mais uma vez finja-se de surdo ou surda, ou melhor, se não tiver mesmo saída finja que não fala português. Garanto que é melhor do que começar uma discussão.

Com o tempo você desenvolverá um mecanismo de defesa muito importante que é conseguir “desligar” do que está a sua volta. Por vezes isso será muito útil. Tente não prestar muito a atenção ao que estão a conversar a sua volta, garanto-lhe que vai lhe poupar de muitos dissabores.

A falsidade, uma pessoa pode estar a ser simpática mas algumas vezes não é bem isso que ela sente (ou pensa) naquele momento. Muitas vezes ela só quer te despachar o mais rápido possível ou terminar a conversa sem ter que se alongar muito, daí a “simpatia” serve de camuflagem. Quando isto acontecer não tarda muito você descobre o contrário.

15- Aprender

Morar em outro país vai te trazer uma grande “bagagem cultural”, mas acima de tudo vai te ensinar a conhecer-se e a conhecer o próximo. A vida é um eterno aprender. Cada segundo, cada minuto, cada dia, é uma aprendizagem. Não estou a filosofar. Estou a dizer o que eu sinto.Cada pessoa nova que entra em sua vida lhe trará algum tipo de aprendizagem, boa ou má.

Às vezes temos a felicidade de conhecer seres iluminados, eu felizmente posso dizer que em Portugal tive oportunidade de conhecer pessoas fantásticas, inteligentíssimas, cultas, educadas, pessoas incrivelmente encantadoras, tanto homens como mulheres.

Infelizmente o contrário também posso dizer, posso dizer que tive os desprazer de conhecer seres repugnantes, mas como eu digo isso existe no Brasil (ou em qualquer outro país). Resta-nos APRENDER a separar o joio do trigo, colher os bons frutos, afastar-se do que não nos interessa, respeitar o próximo e o espaço alheio e seguir em frente de cabeça erguida e com a certeza de que fizemos o nosso melhor. Quanto ao resto, bem…o nome já diz, é só: o resto.

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