Início Site Página 36

Será a simpatia uma questão central quando viajamos?

Será a simpatia uma questão central quando viajamos? Mais um artigo do nosso colaborador Pedro B. para os leitores do Bigviagem refletirem e opinarem nos comentários.

Será a simpatia uma questão central quando viajamos?

A simpatia de um povo é normalmente um dos principais atributos que servem de âncora a uma viagem. Embora não exista um medidor rigoroso desta característica, é ponto assente que emissor e receptor de uma opinião sobre simpatia, estejam em sintonia. Recentemente tive o prazer de ler um artigo aqui no Bigviagem que falava sobre a simpatia dos europeus, e sendo eu um orgulhoso e convicto europeu, pus-me a reflectir sobre este tão instável e universal instrumento de medição de um povo de um pais, neste caso de um continente.

Será a simpatia uma questão central quando viajamos?

O artigo em si tem, desde já, um detalhe altamente positivo. Ele é escrito estritamente de um ponto de vista pessoal, resultado de um conjunto de experiências vividas e reinterpretadas pelo seu autor. Partilhar estas opiniões tem, portanto, todo o sentido e, devo dizer, é muito divertido e, direi mesmo, instrutivo, saber o que os outros povos pensam sobre nós, europeus. Mas foi ao ler os comentários dos atentos leitores deste blog que me levou a escrever este artigo, pois foi neles que pude constatar opiniões diversas, emitidas de várias geografias sobre a nossa suposta simpatia europeia. Não se trata aqui de concordar ou discordar, mas sim questionar-me porque é que alguns compatriotas meus reforçam, com bastante veemência, uma característica negativa que, em última análise, também os definem e caracterizam enquanto europeus e, por outro lado, tentar perceber porque é que alguns leitores brasileiros tentam desculpar a nossa antipatia europeia através de comparações de antipatias entre os dois continentes?

Urge começar pela própria definição de simpatia. O que é isso? Um sorriso no fim de uma frase? Uma total disponibilidade para ajudar o próximo seja em que situação for? Um esforço em falar um idioma comum? Partilhar referenciais culturais comuns? Falar baixo? Falar alto? Dar um lugar numa fila?

Não consigo parametrizar de uma forma rigorosa, mas consigo filtrar algumas características que me são agradáveis, que me são simpáticas. Por exemplo, gosto do esforço dos outros povos em praticar um idioma comum, da mesma forma que me esforço nesse sentido. Esta característica traz-me boas recordações de um povo. Mas, já passei por situações em que a comunicação por idioma era absolutamente impossível e, no entanto, consegui comunicar, por gestos, sorrisos, expressões faciais etc. Guardo esta recordação muito mais vividamente do que as outras decorrentes de uma comunicação por idioma fácil e sem qualquer problema.

Mais acrescento, senti um grau de autenticidade e mesmo exclusividade que não senti na outra situação. Claramente o meu interlocutor que não falava uma língua em comum comigo foi muito mais simpático do que todos os outros que não tiveram necessidade de o fazer. Neste caso a minha avaliação da simpatia assentou na taxa de esforço empreendida quer por mim, quer pelo meu interlocutor. E a pergunta que se coloca obrigatoriamente é: Deverei considerar este povo cuja comunicação verbal foi nula mais antipático, ou simpático, do que os outros povos? Não, definitivamente, não, pois estaria a avaliar todo um povo e uma cultura a partir de uma experiência pessoal, localizada e momentânea.

Ainda servindo-me desta premissa da comunicação verbal, importa explorar uma situação absolutamente inversa, que também a vivi. Ao tentar comunicar em inglês com vários interlocutores, eles ouviam a pergunta e respondiam-me na sua língua materna. Porque é que faziam isto? Não sei e irritava-me sobejamente. Percebiam a minha alocução e ainda davam-se ao trabalho de perderem o seu precioso tempo a responderem-me num idioma impenetrável para mim. Claramente uma situação altamente antipática e merecedora de reprovação uma vez que possuíam forma de me ajudarem e não o quiseram fazer. Será este povo merecedor de uma etiqueta de antipatia decorrente desta infeliz situação? Não deveria eu, estando num pais que me acolhe, estar preocupado em falar no idioma que vigora? O facto de me dirigir numa língua que não é a deles pode revelar alguma preguiça e desatenção da minha parte e em determinadas culturas isso pode definir o curso de uma interação.

Enfim, poderia estar aqui a partilhar como todos vós um sem número de experiências e manipulá-las nos dois sentidos, porque, de qualquer perspectiva, podemos encontrar uma razão válida que justifique a nossa simpatia ou antipatia, porque, simplesmente, a simpatia não é abstracta. Ela depende de um conjunto de factores que têm a ver com a nossa cultura, a nossa educação e as nossas experiências. A simpatia é, portanto, uma opinião, que, quanto a mim, vale a pena ser partilhada, porque tem utilidade, no entanto, não pode o principal pilar que define ou caracteriza um pais, um povo ou um continente inteiro.

Nós, europeus, portugueses, somos simpáticos à nossa maneira. Caberá aos povos que nos visitam tentar descodificar essa maneira e assim tirar o melhor proveito possível de uma estadia neste fascinante continente. Concordo que existem situações inultrapassáveis em qualquer parte do mundo. Posso compreender as diferenças no atendimento que se fazem nas lojas ou nos serviços públicos. Condeno todas as manifestações de descriminação. Mas, por favor, a identidade de um povo, de um continente, não pode estar refém de percepções sobre um conceito tão volátil como a simpatia.

Julgo também que se confunde muitas vezes eficácia com antipatia. Na verdade, nós enquanto turistas, viajantes, sentimo-nos especiais e queremos toda a atenção. Quando não a temos, sentimo-nos frustrados e descarregamos a nossa raiva naquele pais, naquele povo. Não é justo. Em última análise somos nós, enquanto turistas, que estamos a nos intrometer e embora mereçamos o mesmo tratamento, muitas vezes não nos apercebemos que o que estamos a fazer é a atrapalhar um conjunto de códigos instituídos e, esses sim, verdadeiramente definidores de um povo, de um continente.

Turismo – A guerra dos sexos continua a existir, mas agora tem muito mais piada

Como você e seu companheiro ou companheira escolhem como serão as férias? Quem decide o que fazer?  De quem é o voto Minerva?

Hoje o Bigviagem traz para vocês mais um artigo especial do nosso colaborador Pedro B. que te levará numa viagem através dos tempos! Prontos para isso?

A guerra dos sexos continua a existir, mas agora tem muito mais piada

A ligação do homem aos atributos de beleza e sensibilidade, vistos como características essencialmente femininas, começou a ser desacreditada aquando da criação da sociedade vitoriana do século XIX. O homem passou a ser visto como uma força de trabalho, como uma fonte geradora de dinheiro, como um cidadão responsável que não pode, nem deve perder tempo com coisas frívolas e fúteis. O adjetivo belo passou a ficar mal no homem, passou a ser uma fonte de descriminação, um sintoma de doença.

turismo-guerra-dos-sexos

E se o sexo masculino enveredou por esse caminho, o trilho percorrido pelo sexo feminino foi absolutamente contrário. À mulher nada mais se exigia do que dar à luz, cuidar da sua descendência e manter-se bela para deleite dos homens e da sociedade em geral. Mal da mulher que ficasse solteira, que quisesse trabalhar ou que ousasse divertir-se durante as suas aventuras sexuais, mesmo sendo obrigada a praticar todos os ditames exigidos no campo da beleza e da sensualidade.

Não foram tempos fáceis, principalmente para as mulheres, mas por volta dos anos 60, tudo começou a mudar com a sistemática quebra de tabus instituídos e o início de novas dinâmicas sociais, assentes não só numa melhor distribuição do rendimento, mas também no desejo e na possibilidade de cada indivíduo poder exercer a sua individualidade. Foram nestes loucos anos que o rock e o pop se afirmaram não só como estilo musical, mas principalmente como modo de vida. Assistimos também à criação das primeiras tribos urbanas verdadeiramente globais, movidas por ideais novos e fracturantes, identificáveis através das suas roupas e do seu modo de se apresentarem. Iniciou-se o processo de reabilitação da beleza masculina, tão popular nos séculos XVII e XVIII (se bem que com contornos absolutamente diferentes e com uma expressão muito reduzida às classes abastadas), com várias publicações a fornecerem conselhos estéticos, sem qualquer pudor, aos homens. O belo começou a deixar de ser um exclusivo feminino e começou a infetar, ainda muito ligeiramente, os homens. O sex appeal masculino começou a ser reconhecido pelas mulheres.

A cultura gay contribuiu em grande escala para este novo homem, pois assumiu e legitimou a preocupação masculina com a sua aparência. Foi um processo lento, mas que, deixou de ser uma questão no início do século XXI. Apareceram os metrosexuais, as cirurgias estéticas, o botox e os liftings começaram a ser partilhados entre os dois sexos, o consumo de produtos cosméticos disparou nos homens e vem aumentando significativamente nas mulheres, as mulheres redobraram os esforços quanto à sua aparência, e embora ainda persistindo uma grande diferença entre o consumo destes produtos e destas formas de vida quando comparamos os 2 sexos, com uma grande proeminência feminina, finalmente democratizou-se a beleza e a aparência.

Mas o contrário também aconteceu. Cada vez mais, existem mulheres em grande posições de destaque e de poder, desempenhando papeis de grande relevância social e adoptando códigos tipicamente masculinos sem qualquer pudor ou descriminação. Ocorre-me, de imediato, uma espécie de cultura unisexo, sem distinção entre os papeis desempenhados por cada sexo, mas acho que não corresponde à verdade. Redistribuição de tarefas não faz com que os géneros sexuais sejam indiferenciados. Pelo contrário, criam-se novas formas de abordar assuntos clássicos, com soluções mais eficazes e equilibradas.

Mas será esta uma conquista apenas de cariz estético? Definitivamente não. A quebra destas regras, levam a que novas formas de pensar, de atuar, sejam adotadas por ambos os sexos, esbatendo assim os formatos das tradicionais “guerras dos sexos”. Essas guerras persistem, mas agora têm muito mais piada. Basta-me imaginar uma viagem de um casal à cidade de Madrid, durante a qual a mulher luta por uma tarde passada no estádio de futebol Santiago Barnabéu, enquanto o homem esgrime os seus argumentos no sentido de investirem essa tarde passada nas lojas dos principais criadores para observar as últimas tendências. São cenários inimagináveis há 20 anos atrás, mas perfeitamente possíveis hoje em dia e, mais importante de tudo, não são censuráveis.

O que resta então dessas antigas “guerras dos sexos” que nos alimentaram e divertiram ao longo de tantos anos? Estruturalmente elas mantêm-se, formalmente elas ganharam novos contornos que valerá a pena tentar explorar. E nada melhor do que o planeamento de uma viagem a 2 para nos ajudar. Utilizei a técnica do diálogo imaginado entre os 2 elementos do casal, aquando da discussão de cada tópico:

1. Escolher um destino de férias

Ele: Querida, este ano gostaria de visitar um país africano. O que é que dizes?

Ela: Parece-me muito bem. Mas com uma condição. Tem de ser uma coisa absolutamente selvagem, em contato total com a natureza.

Ele: Lá estás tu com essas manias da natureza. Isso é extremamente incómodo e para além disso podemos apanhar doenças e já sabes que não suporto sítios pouco higiénicos. Preciso sempre da minha hora matinal para me arranjar.

Ela: Vê lá tu que estava a pensar acampar no deserto. Como é que concebes África sem estares em comunhão com a natureza?

2. Preparar a bagagem

Ela: Querido, além da tua mala tens de preparar a minha, pois vou ter uma reunião até muito tarde e sigo direto para o aeroporto

Ele: Ok, não te preocupes. Tens alguma coisa especial que queiras incluir?

Ela: Apenas aquele casaco que me compraste o outro dia, mas apenas se couber, pois a quantidade de bagagem que levaste da última vez fez com que a nossa viagem ficasse caríssima

Ele: Querida, sabes como é, mesmo em férias não dispenso de uma partida de golf ou de ténis

Ela: Pois, mas precisas de te equipar a rigor? Afinal estamos em férias.

Ele: Mas como é que se joga golf ou ténis sem estar equipado a rigor? Isso é destruir o próprio jogo.

Ela: Pronto, está bem. Tu tens tempo para essas coisas e muita paciência. Para mim leva apenas roupa prática e que preferencialmente caiba numa bagagem de mão.

3. Definir um roteiro de viagem

Ele: Pronto, está decidido. Vamos visitar 4 museus, 2 shopping centres, o centro da cidade e ainda 2 praias. Inclui ainda um ballet na nossa última noite.

Ela: Parece-me bem, no entanto gostava mesmo de ir ver um jogo de futebol.

Ele: Para quê? Não gostas nada de futebol.

Ela: A questão não é essa. O futebol faz parte da cultura e da identidade desta cidade. Faço questão de ir viver esse momento tão importante. Para além de achar o avançado da equipa absolutamente irresistível.

Ele: Isso quer dizer que temos de cortar o ballet, pois não nos sobra tempo.

Ela: É isso. Nós já temos uma assinatura para a temporada de ballet na nossa cidade, porque é que vamos perder tempo com isso?

Memorial do Imigrante em São Paulo

Museu da Imigração em São Paulo
Museu da Imigração em São Paulo

O atual Memorial do Imigrante ou o Museu da Imigração em São Paulo tem o maior acervo de documentação sobre a imigração para o Brasil na passagem do século XIX para o XX , está aberto a visitação pública e recebe cerca de 10.000 visitantes por mês. Situado no bairro da Moóca, zona leste de da capital paulistana, o local servia de abrigo a imigrantes que chegavam no porto de Santos em busca de novas oportunidades em terras brasileira. A maioria deles oriundos da Itália, alí se instalavam até que encontrassem trabalho nas lavouras de café no interior do Estado, porém a hospedaria inaugurada no século XIX também hospedava imigrantes de outros países como Japão, Líbano, Espanha e outros.

Museu da Imigração em São Paulo
Museu da Imigração em São Paulo

O Memorial do Imigrante em São Paulo possui um setor de busca multimídia em que o visitante pode buscar o nome do parente e verificar se ele passou pela hospedaria e outro que consta os nomes de todos os imigrantes que desembarcaram no porto de Santos. Além disso as diversas salas do Memorial contam histórias de muitas pessoas e famílias que por alí passaram, contam também o crescimento e construção da cidade; histórias de vida e que marcaram a história da cidade de São Paulo. O acervo digital do Museu da Imigração e mais de 87 mil imagens e documentos disponíveis para consulta e download gratuito.

O local tem sido de grande utilidade à brasileiros que buscam informações de parentes europeus a fim de conseguirem cidadania européia. As informações podem ser obtidas  em documentos oficiais do Museu da Imigração como registro de matrículas, cartografia, cartas de chamadas, jornais, iconográficos, etc.

Memorial do Imigrante
Rua Visconde de Parnaíba, 1316, Mooca
São Paulo – SP – Brasil
Tel: 00 55(11) 2692-1866
De terça-feira a domingo, das 10h00 às 17h00.

Brevíssima incursão pela literatura de viagens

Você gosta de viajar? Gosta de ler? Se sua resposta foi sim, então certamente você adora literatura de viagens. Eu adoro! Eu amo ler, e devoro tudo que cai em minhas mãos e se for livros sobre viagem, guias de cidades, mapas e tudo  que nos faça conhecer mais sobre algum lugar, melhor ainda. Aliás já falei aqui sobre “Machu Picchu” e sobre “Campo de Estrelas” do meu amigo Leferr.

Porém o que muitos de nós não sabíamos é que a literatura  de viagens remontam ao século II. Abaixo temos um artigo muito interessante do nosso colaborador Pedro B. que aborda este tema. Vamos ler?

Brevíssima incursão pela literatura de viagens

Brevíssima incursão pela literatura de viagens

A arte de viajar faz parte do nosso inconsciente coletivo desde há muito tempo. Supõe-se que as primeiras obras de literatura de viagens remontam ao século II, no qual o escritor e geógrafo grego Pausanias, contemporâneo do imperador romano Marco Aurélio, faz uma descrição da Grécia dos seus dias. Mais tarde, já no século X, este género foi muito popular durante a dinastia Song da China medieval – uma dinastia que durou cerca de 400 anos.

Também a civilização árabe popularizou este tipo de literatura durante os séculos XIII e XIV, no entanto, sempre subordinada a temas mais latos como a topografia e a geografia. Foi apenas no século XIV que surgiu a primeira obra que está mais próxima daquilo que hoje chamamos literatura de viagens. O seu autor foi Petrarca e nela relata o prazer de subir ao monte Ventoux, sem qualquer preocupação de carácter geográfico, topográfico ou de outra natureza qualquer.

A partir daí, vários exemplos sucedem-se ao longo dos 4 séculos seguintes, com especial destaque para diários marítimos da responsabilidade de piratas famosos, como James Cook, até chegarmos às obras de Robert Louis Stevenson no fim do século XIX. A “Ilha do tesouro” mistura literatura, ficção científica, ficção histórica, literatura de viagens, romance. Outras obras deste autor fazem menção, pela primeira vez, ao campismo e à boleia como atividades recreativas ao alcance de todos. Tornaram-se clássicos de várias gerações e são reeditados, todos os anos, em muitos países. Foi a rampa de lançamento que a literatura de viagens estava a precisar.

Por fim, a modernidade. Finda a segunda guerra mundial, inventou-se a sociedade de consumo e o imaginário das viagens passou a intoxicar-nos… e ainda bem. Os guias invadiram as prateleiras das livrarias. O seu impacto foi tão grande que permitiram-se reinventar com versões concebidas para todo o tipo de gostos. Se eu quiser luxo, ou ambientes alternativos, ou gastronomia, ou música, ou vida noturna, ou uma série infindável de categorias, eu consigo encontrar.

Simultaneamente, a literatura de viagens impunha-se como género definitivo, maduro e independente. Grandes nomes surgiram, em Portugal inclusive, tornaram-se incontornáveis na história da literatura e ofereceram-nos obras verdadeiramente icónicas e inspiradoras.

Os primeiros nomes que me vêem à cabeça são Paul Theroux, Jan Morris e Bill Bryson. Tive a sorte e o privilégio de os “devorar” durante estas minhas férias. A acidez e a crueza de Theroux tem a capacidade de nos incomodar e chocar e de nos fazer refletir, o onirismo de Morris hipnotiza-nos e transporta-nos para ambientes que julgamos verosímeis, mas não o são, e o humor, sagacidade e curiosidade ilimitada de Bryson não tem preço… não tem mesmo!

Estes autores, entre muitos, elevaram a literatura de viagens a patamares surpreendentes e os seus contributos constituem a base de um edifício que não podemos dar-nos ao luxo de descurar. São património de todos os viajantes, de todos os turistas que todos os anos procuram experiências e perseguem memórias que irão perdurar durante toda a sua vida e que serão passadas para as próximas gerações.

Termas de Pedras Salgadas

Está mal do estômago?  Bebe Água das Pedras Salgadas. Pode parecer mera publicidade, mas não é. Felizmente em Portugal existe a famosa Água das Pedras e que realmente resulta bebe-la quando nos sentimos mal dispostos do estômago, seja por termos comido demais, seja por qual outro motivo for.

Água das Pedras Salgadas
Água das Pedras Salgadas

A nordeste de Portugal, na freguesia de Bornes de Aguiar, Vila Pouca de Aguiar, nasce a água mineral natural gasocarbónica mais famosa de Portugal. A água  hipersalina, bicarbonatada, sódica, gasocarbónica, ferruginosa e silicatada,  é benéfica para o aparelho digestivo, especificamente para o fígado, para a vesícula biliar, para o aparelho respiratório e para o metabolismo endócrino.

Balneário Água das Pedras Salgadas ©
Balneário Água das Pedras Salgadas ©

A Água das Pedras Salgadas não é alterada, ela sai da fonte com todas as propriedade citadas acima, apenas é engarrafada e posteriormente comercializada. Porém, não se destina apenas à quem esteja mal disposto, já que agora é possível encontra-la com diversos sabores e por isso pode agradavelmente acompanhar uma refeição como é feito em alguns páises no norte da Europa.

Piscina Interior Termas de Pedras Salgadas ©
Piscina Interior Termas de Pedras Salgadas ©

Aliada a grande fama das Águas das Pedras, as Termas de Pedras Salgadas ganharam fama em meados do século XIX, quando a família real portuguesa escolheu a localidade como destino de férias. As Termas de Pedras Salgadas é um verdadeiro templo de saúde destinado ao descanso e relaxamento, onde o turista e/ou visitante poderá desfrutar de salas de massagem e relaxamento, piscina interior aquecida com corredor de marcha, sauna,  hidromassagem, duche de agulheta, etc.

Para se hospedar a nossa sugestão são as Eco Houses do Pedras Salgadas spa & nature park, (eleito o edifício do ano em 2012)  que possuem capacidade de até 6 pessoas, e onde o hóspede poderá desfrutar de toda a beleza do local, bem como ter acesso a toda comodidade como TV Led, Som Ambiente, Máquina de lavar loiça e microondas, Serviço de Take Away a pedido, Máquina de café expresso, Serviço de limpeza diário,  Internet sem fios gratuita, etc.

Férias, descanso, relaxamento e ainda tratar da saúde! Bom demais não é mesmo??! 🙂

A reinvenção do turismo

Para vocês, mais um artigo do nosso colaborador Pedro B. que aborda o tema “A reinvenção do turismo“, um ponto de vista perspicaz que teve origem numa conversa sobre o lançamento de um álbum de um músico conhecido.

Como você irá planejar sua próxima viagem? Com seu agente de turismo ou pela internet? Você ainda se lembra como fazia um plano de viagem antes de surgir as facilidades da internet?

A reinvenção do turismo

A reinvenção do turismo

O outro dia em conversa com um músico bem conhecido da nossa praça, perguntei-lhe se ele já tinha lançado o seu último álbum. Disse-me que sim, que já tinha lançado há cerca de um mês. Perguntei-lhe de seguida onde o podia comprar, porque nas minhas incursões semanais pelas fnac’s ainda não o tinha encontrado e o que já tinha ouvido na rádio tinha-me aberto o apetite. Respondeu-me que não o encontraria em nenhuma loja de discos e que o tinha de comprar online.

A minha reação foi de alguma consternação, pois refletida naquela obrigação de compra, estava a incapacidade do meu amigo editar um suporte físico (como o costumava fazer nos seus álbuns anteriores) e ainda assegurar uma distribuição razoável para, pelos menos, pagar o seu investimento. Não lhe falei sequer da promoção do seu disco.

Os tempos mudaram, respondeu-me ele com uma inquietante tranquilidade e hoje os discos editados servem apenas como bandeira promocional. Não é uma fonte de rendimento e na verdade só para muito poucos é que o foi. Um disco com sucesso, na ótica do artista contemporâneo, é aquele cujas vendas conseguem pagar o seu investimento em estúdio e edição. Repara bem, disse-me ele, em estúdio e em edição, não as horas que gastamos na criação dos temas e nos correspondentes ensaios. Os discos eram e são negócio para as editoras. E até certo ponto está certo, pois elas asseguram a sua promoção e distribuição que não é trabalho fácil. Mas, para os artistas e criadores, pouco sobra e se estamos a falar em início de carreira, então o cenário é próximo da desolação.

Mas foi o modelo de negócio que foi criado e até há muito pouco tempo era o único que tínhamos à nossa disposição para fazer chegar o nosso trabalho à praça pública. Hoje esse modelo subsiste, com alguns ajustamentos. Um contrato com uma editora obriga a muito mais do que apenas ter a obrigação de editar um disco de x em x tempo, pois a indústria encontra-se numa grave crise desde há uns anos.

Mas não quero entrar por aí, pois seria um tema que daria “pano para mangas”. Quero reter-me, algures no meio da nossa conversa animada, numa frase que o meu amigo lançou e que me chamou a atenção e de alguma forma me obrigou a repensar como vejo e como interpreto os novos meios de comunicação ou, de uma forma mais corrente, os media sociais.

Era qualquer coisa como: “O ato de venda através do site é um momento profundamente intimista. Eu sei quem é que me está a comprar o álbum, consigo falar com ele, ver a sua cara, emergir numa parte da sua vida através das redes sociais e ainda ouço o som de caixa registadora, emitido pelo meu computador, quando uma transação é efetuada”.

Nunca tinha visto a coisa assim. Sempre percecionei os novos canais web de distribuição como uma alternativa aos canais clássicos de distribuição, uma espécie plano B para quem não consegui singrar no sistema. Mas esta reflexão do meu amigo destruiu este edifício dogmático que construi à volta da minha profunda e genuína apreensão e desconfiança que sinto por estes meios sociais.

Eu sou da geração que viu nascer a internet e a world wide web. Ainda assisti ao nascimento dos telemóveis, do multibanco e do CD, e vi na primeira fila como estas e outras brilhantes invenções mudaram e moldaram, para sempre, a nossa vida. Sou o que se chama um “Imigrante Digital”, pois passei a ter novas ferramentas à disposição para melhorar e potenciar a minha vida. O meu amigo músico tem menos 20 anos do que eu. Para ele os discos de vinil são objetos “vintage”, fotografar com filme fotográfico é um “statement” e os blusões de cabedal com chumaços nos ombros, dos anos 80, são peças próximas da arte. Ele é um “Nativo Digital”, que se pode definir como alguém que nasceu e cresceu com as tecnologias digitais.

A sua perceção do mundo e da sociedade é tão diferente da minha que arrepia. Como Imigrante Digital a minha luta é integrar-me nas novas regras e a cada avanço que faço, a cada conquista que realizo, deixo um rasto de horas a tentar perceber como estas novas coisas funcionam. E só depois aplico-as a meu favor. O meu amigo e todos os nativos digitais não necessitam deste esforço. O seu ponto de partida é o meu ponto de chegada. Toda a estruturação de pensamento parte de uma base adquirida e natural, a qual eu sonho apenas em atingi-la. Para ele, o meio digital não é nada de extraordinário. Ele existe e está à nossa disposição e na verdade não é nada que não apenas mais um meio para atingir um determinado objetivo.

A minha preocupação com os jovens que trocam o campo de futebol lá da rua pelo facebook é, na verdade, uma preocupação desnecessária, exagerada e irrealista. O campo de futebol ainda existe e o facebook também. Porque que é que se há de optar por apenas um deles? Porque não tirar proveito dos dois? É certo que existe sempre um exagero no início, mas as redes sociais vieram para ficar e, pasmem-se os imigrantes digitais, funcionam e funcionam de formas que nós nunca vamos entender porque, simplesmente, o nosso filtro de perceção é tão antiquado que se não tivermos a capacidade de o desligar, corremos o risco de nos tornarmos infelizes e indigentes até ao fim dos nossos dias.

O meu amigo tem razão. Os níveis e intimidade que ele conseguiu transportar para o seu modo de vida, são tão insuportavelmente bons e eficazes que só me resta invejá-lo. Eu também quero um modo de vida assim. Provavelmente nunca o conseguirei, mas nada me impede de tentar.

Mas o que tudo isto tem a ver com viagens e com o turismo? Tem tudo a ver. A viagem estendeu-se e deixou de estar balizada pelos aeroportos de origem e destino. O espaço-tempo da viagem passou a ser ilimitado, ubíquo se assim o desejarmos. E o contrário também. Já não estou sujeito às apreciações de um agente de viagens sobre um destino ou aos textos inócuos e descaracterizados das brochuras e folhetos de viagens. Posso preparar a minha viagem no Tripadvisor, Google maps, street viewer e Google earth. Posso contatar diretamente com populações locais, recolher opiniões em tempo real e vivenciar locais através de fotografias e filmes de outros que já passaram por lá. Posso prolongar a minha viagem muito além da data prevista de chegada, assistindo “ao vivo e a cores” tudo os que os meus novos amigos estão a fazer no momento.

O turismo é, e tem de ser, muito mais do que uma viagem. Fazer turismo é um ponto de partida para uma vida mais sustentável, mais equilibrada, mais útil, mais intimista, como diria o meu amigo. A imersão neste novo mundo passará por uma capacidade de conhecer, perceber e intervir de uma forma eficaz, necessária, mas também prazenteira.

A intimidade ganhou novos contornos, novas possibilidades. E nós estamos aqui para aproveitar e desfrutar.

Bons preços para vôos e viagens

Quando pensamos em planejar uma viagem a primeira coisa que pensamos é em como fazer uma big viagem sem gastar muito. Digo isso porque sempre recebo emails de leitores a perguntarem como é possível viajar sem ficar no “vermelho”.

Começo por dizer que para se fazer uma viagem é preciso planejar o que pretende antecipadamente, parece um pouco óbvio não é? Mas este é um dos segredos para se conseguir bons preços em hospedagem em vôos.

Você pode preferir procurar uma agência de viagem, mas lembre-se de que numa agência para além de taxas adicionais, nem sempre é possível criar seu próprio roteiro e escolher os pontos da cidade que quer conhecer. Quase sempre as agências já apresentam pacotes fechados, no que por vezes está incluido não só o preço dos bilhetes aéreos, mas hospedagem em determinado hotel e alguns percursos turísticos diminutos pela cidade escolhida. Acrescentamos a isso o horário estipulado pela agência para os passeios turísticos, que acaba por tornar impossível conseguir ver as coisas com calma e desfrutar do momento. Afinal queremos uma viagem e não participar de uma maratona certo?

Uma dica de ouro é planejar sozinho a sua viagem. Existem atualmente bons sites para reservar hospedagem em hotéis, pousadas, albergues ou outro tipo de alojamento. Conheço alguns que habitualmente costumo consultar e tenho conseguido excelentes promoções.

bons-precos-para-voos-e-viagens

No quesito vôos baratos, vale a mesma dica, existem excelentes sites de busca por preços como por exemplo um que conheci recentemente e que me oferece opções de escolha em várias companhias aéreas. Se quiserem conhecer podem faze-lo em: Jetcost

Relativamente a alimentação, isso vai depender muito da cidade (e país) que pretende visitar. Se for Europa reserve pelo menos 25 Euros por pessoa, para uns cafézinhos, um almoço básico e um jantar básico.

Quanto aos gastos adicionais com museus e passeios turísticos, já é possível comprar os bilhetes antecipadamente pela internet para museus, teatros, feiras e eventos. Isso facilita muito, já que por vezes se comprar online consegue obter alguns descontos adicionais e reservar para a data exata que deseja.

Compras de roupas e souvenirs, esta é a verdadeira perdição de quem viaja. Afinal quem não quer comprar uma bugiganga qualquer, uma pequena réplica do monumento visitado, ou algum artesanato local? Quase todo mundo quer. Eu quando viajo tenho sempre que comprar qualquer coisinha. Estipule um valor máximo que pretende gastar. A dica é procurar preços. Neste tema muitas lojas cobram o que bem entendem e pode-se encontrar preços altíssimos. Cito Óbidos (em Portugal) como exemplo, um souvenir em Óbidos (na minha opinião) é caríssimo.

Em relação as roupas, quem é aficcionado por moda, se tiver dinheiro, divirta-se. Se quiser poupar a dica é procurar, já que peças de marcas são caras em qualquer lugar do mundo (mas ainda assim são mais baratas do que no Brasil). Pesquise antes pela internet.  Se você não faz questão de marcas, garanto-lhe que fora do Brasil você comprará roupas a “preço de banana”. Bem, isso acho que todo mundo já sabe né?

No mais, a dica final é antes de fazer suas reservas em hotéis é sempre checar se está confirmada e se não houve qualquer problema. Lembrando também que alguns hotéis aceitam cancelamento, mas cobram uma taxa como multa. Já ouvi dizer que alguns não devolvem o dinheiro papo pela reserva, por isso verifique bem as datas antes de comprar.

A simpatia do Europeu

Quase sempre tento evitar escrever aqui artigos que exponham a minha opinião pessoal, até porque nunca escrevi o blog com o intuito de opinar ou criar polêmica, mas sim com o intuito de falar sobre coisas boas, cidades, lugares e hotéis interessantes.

A idéia de fazer este post nasceu após ler uma blogueira muito famosa ter contado como foi uma viagem que ela fez à Itália e como havia se espantado com a forma grosseira como foi tratada pelos italianos.

Como eu sempre digo, em todo e qualquer assunto, nunca se deve generalizar e tão pouco rotular; mas é muito comum ouvir brasileiros e até mesmo portugueses se queixarem da forma como são tratados em alguns países da Europa.

Quanto a minha experiência na Europa, só posso dizer que assim como no Brasil, também há de tudo. Há pessoas maravilhosas, elegantes, educadas, com nível,  como também há gente muito grossa, estúpida, mal educada, sem um pingo de classe ou elegância. Enfim, é o mundo!

O brasileiro se espanta, porque quando o estrangeiro chega em terras tupiniquins (entenda-se Brasil), quase sempre é muito bem recebido e acaba por se encantar com a hospitalidade que encontra por lá; o contrário já não se pode dizer. Tenho muitos amigos que comentam que não entendem o porque de serem tratados rispidamente em alguns países da Europa. Eu também não entendo, mas sinceramente também já desisti de entender! 😉

A simpatia do Europeu

Voltando a enfatizar, não estou generalizando, para tudo há exceções, mas se você brasileiro, espera viajar pela Europa e encontrar bom atendimento, educação, simpatia, gentileza, ou outra coisa que provavelmente você encontraria no Brasil, cuidado porque isso não é regra e a decepção pode ser grande.

* É muito importante lembrar que as culturas, os hábitos, a educação, são totalmente diferentes e o ponto principal para ter uma viagem inesquecível é compreender isso. O brasileiro é muito “aberto”, muito “dado”,  faz amizade facilmente, o Europeu é mais “fechado” e não é tão receptivo a manifestações de intimidade.

* Primeiramente não pense que se você não fala o idioma local, ou não fala minimamente o inglês, alguém fará “força” para o compreender. Esqueça.

* Por favor, não trate as pessoas por “moça”, “moço”, ou chame alguém com “psiu”, “hei”, “oi”, e lembre-se “pelamordedeusssssssss” não toque no braço, ombro, face, mão ou sei lá onde se você não tiver intimidade ou for amigo(a) “chegado”  da pessoa. Isso pode desencadear muitos mal entendidos! 😉

* Também não espere entrar num restaurante, café, ou loja e ser imediatamente atendido com um sorriso nos lábios, principalmente se os empregados da casa/loja/café/restaurante estiverem a conversar sobre algum problema pessoal, sobre como foi o fim de semana deles, ou algo que lhes interesse mais do que atender o cliente. Primeiro o bate-papo, a conversa “furada”, depois, depois, e só depois quando for conveniente você será atendido. Até porque a Europa nem está em crise e tão pouco as lojas precisam vender, certo? (estou sendo irônica).

* Também não se espante se você estiver num restaurante e tiver terminado o jantar e por algum motivo quiser ficar mais um “tempinho” na mesa a conversar, e for “gentilmente” convidado a se retirar para ceder lugar à outras pessoas. Em alguns lugares um sorriso amarelo nos lábios serve bem para “fingir” simpatia. Se é que me entendem.

* Em hipótese alguma “sonhe” em pechinchar, ou pedir descontos, caso a loja não esteja em “saldos” (época em que os produtos são vendidos com descontos). Em alguns casos você corre o risco de ser expulso da loja, ou ouvir um belo e longo discurso sobre a crise que assola a Europa, e que o Brasil é rico, e mimimis…mimimis…

* Ao entrar numa loja não peça para experimentar todos os relógios, anéis, pulseiras, colares, echarpes, chapéus, etc. No máximo poderão lhe mostrar dois produtos, se você pedir mais do que isso, vão te deixar “falando sozinho”. O mesmo aplica-se a roupas. Escolha duas ou três peças,  experimente, e tente deixa-las separadas no balcão ou com a pessoa que lhe atendeu; só então escolha ou solicite outras peças para serem experimentadas. Isso vale também para os sapatos! Não pense que na Europa farão como no Brasil onde o vendedor de sapatos te mostra 45 pares de sapatos/sandálias/botas em todas as cores e um número acima ou abaixo do seu. Informe-se antes de viajar qual o seu número de calçado (e roupa)  na Europa, isso é fácil descobrir pelo Google.

* Se você chegar na Espanha, ler o cardápio e não entender absolutamente nada do que está escrito e pensar que o garçom vai te explicar, esqueça. Ele não vai te explicar e tão pouco vai se esforçar para entender o seu “portunhol”.

* Em alguns países europeus as pessoas são mais descontraídas, em outros não, você vai encontrar de tudo. Você vai encontrar desde pessoas que vão te olhar de cima a baixo, milimétricamente para analisar, avaliar e julgar a roupa que você está usando, como também vai encontrar países onde a mulher poderá fazer topless sem qualquer preocupação sobre o que vão achar dela ou do corpo dela.

* Em alguns países tenha atenção com palavras, pronomes e todos os “mimimis”, em Portugal evite tratar alguém por “TU” se não for íntimo da pessoa, para evitar gafes trate todos por você, ou melhor,  senhor ou senhora. Assim você não corre o risco de ouvir o que não quer.

* Caso você veja no café, no correio, no supermercado,  alguém aos gritos ou tendo um “chilique” com alguém ou irritado com o colega ao lado, não se meta e tão pouco se espante, em alguns países da Europa, gritos e “crises” é o que não faltam.

* Em algumas cidades da Europa, as lojas costumam fechar para a hora do almoço, quase sempre entre 13h00 e 14h30; mas em algumas o horário de almoço pode ser maior como das 13h00 às 15h00. Em algumas cidades da Espanha, principalmente na época do verão, onde o calor é muito forte, algumas lojas permanecem fechadas durante toda a tarde só reabrindo por volta das 17h00. Informe-se sobre os horários na cidade onde você for ficar, desta forma você conseguirá programar seus passeios e as compras. Lembre-se que a pergunta deve ser feita qual o horário de abertura e fechamento da loja e quais os dias. Faça a pergunta completa!

* No mais para evitar irritar-se finja-se  de surdo, cego e mudo!

Creio que basicamente seriam estas as coisas que eu teria a dizer para que o brasileiro não se espantasse demais, há muito mais coisas que eu adoraria dizer mas tenho certeza de que iria ferir a suscetibilidade de alguns, portanto fico por aqui. 😉 Espero que  tenha-me feito compreender e que não haja uma avalanche de comentários irados….rssss. That’s all folks.

Veja também: – Como é morar em outro país

Dicas para quem vai mudar de país

A cidade como bem de consumo

Quando você pensa em turismo ou conhecer uma determinada cidade, quais são as suas expectativas? O que espera encontrar? Efetivamente o que você busca? Esta pergunta é muito importante fazer-se antes de uma viagem. Abaixo temos mais um artigo colaboração de Pedro B. que como sempre nos põe a refletir sobre um tema atual e deveras importante. Vamos a ele?

cidade-bem-de-consumo

A cidade como bem de consumo

A afirmação da cidade e do homem urbano é um fenómeno consolidado no século XXI. O grande protagonismo das cidades e do modo de vida urbano é um processo que tem início em tempos imemoriais, no entanto, o surgimento das grandes metrópoles urbanas e o consequente estabelecimento de um modo de vida urbano próprio, independente e sustentável teve o seu grande “boom” logo após o fim da segunda guerra mundial. Este fenómeno coincide com a criação da sociedades de consumo que desde aí vem modelando o nosso modo de vida e estabelecendo novos padrões definidores do nosso modo de vida contemporâneo, padrões estes que se estendem por vários domínios, desde o económico, ao cultural e artístico, ao desportivo e educacional, etc.

Já tendo passado mais de uma década desde que se iniciou o novo século, tempo suficiente para que todas as dúvidas sobre o século que estamos a viver se tenham dissipado, creio que estamos a assistir a uma nova (r)evolução(?) da nossa paisagem urbana. As cidades, conotadas como pólos ativos de desenvolvimento e motores de economias pujantes e definidoras, estão a transformar-se em pólos festivos, onde o imperativo do espetáculo e do divertimento sobrepõe-se a todos os outros e de alguma forma molda a sua função e o seu estatuto.

A fruição do prazer e da diversão por quem visita uma determinada cidade tornou-se o grande objetivo de quem as gere, relegando para categorias secundárias outros objetivos que dávamos como imutáveis. A cidade está a tornar-se “não-produtiva” onde a lógica do parque de diversões e do shopping center impera e onde os seus habitantes têm de se sujeitar aos ritmos e modos de vida de quem os visita e usufrui momentaneamente.

Vários sintomas evidentes caracterizam este estado de que vos falo. Os bairros antigos são requalificados e os seus edifícios remodelados ao invés de se investir em nova construção, terrenos baldios são recuperados e transformados em espaços culturais e comerciais, antigos mosteiros e fábricas desativadas são transformados em hotéis de charme e centros comerciais, edifícios e avenidas icónicas das grandes cidades convertidas em lojas de luxo pensadas para abordar os consumidores em todas as suas dimensões sensoriais e físicas. O “entertainement” das massas impera e reduz a pó preocupações de outrora relacionados com a vivência da sua população ativa.

As cidades assumem-se como manifestações espetaculares onde o lúdico impera e tudo se faz para transmitir um ambiente de encantamento e de afastamento do “mundo real”. Julgo que a palavra “dramatização” traduz bem tudo aquilo que disse atrás. O espaço público dá lugar ao espaço comercial e molda a face da cidade. São as novas cidades do século XXI.

Entra agora a “moral a história”. O que é que isto significa? Isto é bom para o turismo? É bom para as pessoas? Ou pelo contrário, caminhamos num rumo perigoso que pode levar ao desaparecimento da cidade?

Creio que se trata de uma evolução. A globalização deixou de ser uma ideia, um sonho e é real, e isto é um sintoma da sua prática ao longo deste início do século XXI. As cidades são repositórios de cultura e a crescente procura das suas vivencias, memórias e passados só pode ser salutar para quem gosta de viajar. As cidades passam a organizar-se em torno da nossa satisfação enquanto turistas, enquanto curiosos, e adaptam ao seu ritmo às nossas expetativas. Mas a perspetiva da cidade se transformar num núcleo “não produtivo” julgo ser descaracterizadora e “artificializante”. Creio que a longo prazo não será benéfico para ninguém e eventualmente poderá levar a que repensemos a cidade de uma nova forma, desta vez levando em conta todas as variáveis que a equação urbana deverá conter para ser sustentável e, acima de tudo, gratificante e generosa para quem lá vive. Será um voltar ao “ponto zero”, um reinício com todas as coisas boas e más que poderá trazer, mas será sempre um processo custoso e doloroso até atingir o seu equilíbrio.

Museu Frida Kahlo

O Museu Frida Kahlo está situado na cidade do México, na casa onde a pintora nasceu, viveu e morreu, conhecida como “Casa Azul”! O museu nasceu 4 anos após a morte de Frida Kahlo e em seu acervo estão algumas de suas telas, objetos pessoais,  documentos inéditos, fotografias, desenhos, vestidos e livros. Segundo dizem, o  feito deve-se ao grande amigo da pintora, o poeta Carlos Pellicer, seguindo as orientações de Diego Rivera, marido de Frida.

Frida Kahlo teve uma história de vida tumultuada ao lado de seu marido, também pintor, Diego Rivera. Frida e Diego viveram uma história de amor conturbada e passional, amavam-se loucamente, porém ambos eram infiéis.

Frida era bissexual e Diego só permitia suas traições com as mulheres, porém
não permitia que Frida se relacionasse com outros homens. Diego por sua vez traiu Frida com sua irmã mais nova, ou seja, sua cunhada. Com a irmã de Frida teve 6 filhos, e Frida nunca pôde lhe dar um filho. Frida separada de Diego, resolve em 1940, retomar o seu casamento, porém cada um em sua casa.

Foto de Peter Andersen © – Wikipédia

O segundo casamento foi tão tumultuado quanto o primeiro e marcado por brigas violentas. Ao voltar para o marido, Frida construiu uma casa igual a dele do lado da que eles tinham vivido, exatamente onde hoje está o Museu Frida Kahlo.

As duas casas eram unidas por uma ponte, onde tanto Frida, quanto Diego podiam atravessar para estarem juntos; dado que desde a retomada do casamento, decidiram não mais conviver sob o mesmo teto. A casa que pertencia a Diego Rivera, também se transformou num museu, onde pode ser visto a obra e objetos pessoais do pintor.

São dois museus, um ao lado do outro, o que significa que o turista terá muito para apreciar nos dois locais. Frida e Diego são venerados no México, dado que ambos levaram o nome do país aos 4 cantos do mundo com suas obras de artes irreverentes e porque não dizer impactantes! Quem visitou o local, narra que sente-se a energia de Frida em todos os cantos, um misto de paixão pela arte, pelas cores, por Diego, combinado a uma vida conturbada e porque não dizer infeliz.

Se você aprecia artes plásticas, eis um excelente local para viajar nos meandros da arte, das cores, da vida, da paixão, do amor, dos amores passionais, e da intimidade de dois símbolos mexicanos, Frida Kahlo e Diego Rivera!

Col. Del Carmen, Coyoacán –  Cidade do México 04100 – México

Lisboa vista de um drone

Antes de visitarmos uma cidade, quase sempre buscamos frenéticamente na internet informações turísticas e pontos importantes a serem visitados; felizmente nos dias de hoje temos muita informação a nossa disposição. Nestas informações incluem-se o Google Maps que nos facilita imenso, e agora com uma aplicação indoor especial, nos ajuda ainda mais a ter acesso a detalhes importantes de diversos pontos turísticos do mundo.

Temos também uma grande novidade que são algumas imagens feitas através de um drone. O que é um drone? Para quem ainda não ouviu falar, um drone é um Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT) ou Veículo Aéreo Remotamente Pilotado (VARP). Podem ser comandados a distância por pessoas ou por controladores lógicos programáveis. Enfim, um drone resumidamente é um aparelho capaz de filmar e que voa comandado a distância; pode ser usado para as mais diversas finalidades; e tem sido ultimamente utilizado no turismo para filmar e divulgar cidades.

lisboa-vista-de-um-drone

Vamos ver alguns vídeos de Lisboa realizados com drones?

Lisboa é, na minha opinião uma das cidades mais lindas do mundo, e atualmente temos imensos vídeos realizados através de drones que nos mostram estas belezas e que nos estimulam a visita-la. Andar pelas ruelas e becos de Lisboa, é uma experiência mágica e inenarrável, mas vê-la do alto é ainda mais emocionante.

Mais um vídeo emocionante, a linda Sintra:

O que vocês acham? Gostam da idéia de ver uma cidade através de um drone? Eu acho interessante, confesso que já vi alguns vídeos de locais que supunha que ia adorar e decepcionei-me, e ao contrário também.

Mais vídeos em: Ionline

Curiosidades sobre Portugal para quem vai mudar de país

Ainda no âmbito do nosso post sobre dicas para quem vai mudar de país, hoje venho vos falar sobre algumas coisas que são diferentes e curiosas se comparadas com o que estamos acostumados no Brasil. Há muito para se falar e todo dia é um novo aprendizado. Como sempre, gosto de enfatizar que trata-se apenas da minha experiência e opinião pessoal ok? Vamos a elas?

Curiosidades sobre Portugal para quem vai mudar de país

 Curiosidades sobre Portugal para quem vai mudar de país

1- Palavras, termos e expressões

Sempre indico um livro muito bom e que pode ajudar muito não só turistas que pretendem conhecer Portugal, mas também aqueles que pretendem morar aqui – Schifaizfavoire – Dicionário de Português do escritor brasileiro Mário Prata. O autor viveu muitos anos em Portugal e no início tinha muitas dificuldades para perceber algumas palavras, foi então que decidiu escrever o livro que na verdade não é bem um dicionário, seria mais exatamente pequenas crônicas em ordem alfabética. Delicioso de se ler e numa vertente brincalhona com os tropeços do autor em algumas palavras faladas em Portugal, renderá boas horas de leitura e sem dúvida algumas boas gargalhadas. As gargalhadas nascem do lado português ao ouvir um brasileiro falar e vice versa.

A indicação do livro Schifaizfavoire lhe ajudará a descobrir o que é autoclismo, água lisa, açorda, arrecadação, apuramento, atacador, etc…etc.

2- Limpeza Doméstica

Banheiro aqui em Portugal é chamado de casa de banho, ou dependendo do lugar também pode ser chamado de quarto de banho. Os banheiros (casa de banho) não tem ralo no chão, pelo que é impossível que se faça uma limpeza como fazemos no Brasil. Aqui não podemos lavar o banheiro, com água, sabão e jogar um balde de água. Não tendo ralo, não tem como a água escoar e portanto o risco de inundar a casa toda é grande. O mesmo ocorre com a cozinha, não há ralo.

Como é feito a limpeza? Um balde com água e uma esfregona. Esfregona é uma “vassoura” com um tipo de felpa na ponta. Coloca-se os produtos de limpeza misturados a água, e passa-se no chão com a esfregona. No próprio balde há um local para “torcer” a esfregona, ou seja tirar o excesso de água. Aconselha-se que a esfregona utilizada na cozinha, não seja utilizada na casa de banho, por razões óbvias!

Também aqui em Portugal existem muitos tipos de toalhitas. As toalhitas no Brasil geralmente são usadas na troca da fralda do bebé. Em Portugal há toalhitas para vidros, para tirar a gordura da cozinha, para limpar pisos de madeira e mais mil e uma utilidades. Facilitam muito a vida, geralmente custam (o pacote com várias unidades) entre 1,50 Euro a 3,50 Euros, são práticas e fáceis de utilizar. Raramente vejo aqui alguém utilizando rodo e pano de chão.

3- Lavanderia

Lavanderia no Brasil é um “cômodo” da casa, onde existe um tanque para além de lavar alguma peça de roupa manualmente, pode-se também utilizar o tanque para serviços gerais de limpeza da casa como higienizar a vassoura, os panos de chão que utilizamos, etc. É o local também onde fica a máquina de lavar roupa e em alguns casos a máquina de secar roupa (pouco comum no Brasil).

Em Portugal geralmente não há um “cômodo” especificamente para este fim ou chamado de lavanderia. Não há tanque. Já morei em muitos lugares em Portugal, já mudei muito de casa e nunca, nenhuma delas tinha um tanque. Geralmente a máquina de lavar roupa e secar roupa é instalada na cozinha. Se você desejar lavar uma peça manualmente terá de o fazer na banheira da casa de banho ou numa bacia (alguidar) na pia da cozinha.

4- Casa de Banho

Ainda sobre casa de banho, quase todas tem banheira. O famoso box que conhecemos no Brasil existe, porém não é tão comum. Aqui o “espaço” onde se toma banho com (ou de) ducha, e que nós chamamos no Brasil de box, é chamado de Poliban. Alguns tem vidro em volta, outros não tem. O Poliban ao meu ver é como se fosse uma “bacia” quadrada, com as bordas com uma certa altura para que a água não saia para fora e inunde tudo.

5- Faxineira e empregada doméstica

Aqui empregada doméstica mensalista é luxo puro, eu em quase 10 anos nunca vi alguém que tivesse uma empregada doméstica a full time. Também a faxineira que aqui chamamos de “mulher a dias” ou “senhora da limpeza” é contratada por hora e antecipadamente deve-se combinar para quais os serviços ela foi contratada. Esta coisa da faxineira chegar logo cedo e passar o dia inteiro na limpeza, eu nunca vi aqui. O preço por hora varia e depende da cidade e acerto entre as ambas as partes. Geralmente é por volta de 6 Euros a hora.

Existem também empresas especializadas em limpeza doméstica, de escritórios e etc. Estas também cobram a hora, analisam préviamente o serviço que deve ser feito e quase sempre enviam duas senhoras para efetuar a limpeza, cobrando por cada pessoa 6 Euros por hora. Sendo duas senhoras, você pagará 12 euros por hora.

6- Horário comércio e bancos

Quase sempre as lojas fecham para a hora do almoço. Geralmente entre 13h00 e 14h00, porém não há regra fixa, muitas fecham às 13h00 e reabrem às 15h00. Os bancos geralmente abrem das 8h30  às 15h00 (dias úteis).

7- Caixa eletrônico

Aqui o caixa eletrônico (Banco 24horas) é chamado de caixa multibanco, caixa automático, terminal bancário ou ATM – remote banking (do inglês: Automated Teller Machine – ATM).

Por isso se alguém lhe perguntar onde fica o ATM mais próximo já sabe! 🙂 A novidade ou diferença não é só no nome, aqui o caixa multibanco pode ser encontrado em qualquer calçada (aqui chamamos de passeio), sem qualquer tipo de proteção blindada como há no Brasil.

8- Lavar o carro e Posto de Gasolina

O posto de gasolina é auto atendimento, ou seja, não há “frentista”, não há uma pessoa para lhe atender, você pára o seu automóvel próximo a bomba de gasolina (gasolineira) e abastece o tanque (depósito) de combustível sozinho. A seguir dirige-se a caixa, quase sempre situada dentro de uma loja de conveniências e efectua o pagamento. Não, ninguém sai sem pagar, se é o que você pensou nesse momento. Claro que óbviamente isso já ocorreu, mas isso é raríssimo. Todo mundo aqui (geralmente) cumpre direitinho as regras do jogo.

Quanto a verificação do óleo e da água e demais etcs do automóvel você deverá fazer sozinho. Caso não saiba ou não queira deverá procurar uma empresa que faça por si.

Para lavar o carro existem postos de serviços que podem fazer para você, mas no geral utiliza-se também estações de serviço onde você estaciona o seu automóvel numa “box” que contém uma máquina para se inserir moedas e escolher a ação. Primeiro água e sabão, depois enxague e por fim a água final para tirar qualquer resíduo de calcário que possa ficar no carro. A seguir é chegado o momento da aspiração. Você estaciona numa outra box e também através de uma máquina, ao inserir moedas poderá escolher o tempo de aspiração. Com 5,00 ou 6,00 Euros é possível fazer uma boa limpeza no seu veículo e aspirar a parte interna.

9- Serviços Gerais

Em Portugal não é como no Brasil onde em cada esquina se encontra um encanador (aqui chamado de canalizador) ou um eletricista, e onde todo mundo conhece alguém que faça serviços gerais por um precinho baratinho. Aqui paga-se caro por tudo isso e não é fácil encontrar disponibilidade para tal.

10- Farmácia e todos os etcs sobre este tema

No Brasil a farmácia é um “faz tudo”, curativos (pensos), aplica-se injeções, compra-se remédios, etc…etc. Em Portugal para fazer um penso (curativo) ou tomar uma injeção o utente (ou utilizador) deve se dirigir ao Centro de Saúde onde deve estar registado préviamente. Sim registado e não registrado. Não é cadastro. Estar cadastrado aqui, quer dizer ter passagem pela polícia. ok? 😉

Se você estiver a viver em Portugal, e mediante uma série de burocracias poderá se registar no centro de saúde da sua área de residência e depois de algum tempo (as vezes é bem demorado) poderá ter acesso ao médico de família, que será o responsável por atender todos os membros (agregado familiar) da sua família.  Pagará sempre a taxa moderadora de 5,00 euros por consulta. Se não tiver médico de família, passará por uma consulta “aberta” também mediante o pagamento de uma taxa moderadora  de 5,00 Euros.

Se você for turista em caso de emergência dirija-se ao hospital público, mediante o pagamento de uma taxa que creio hoje ser por volta de 18,00 ou 19,00 euros poderá ser atendido por um médico. Se demora para ser atendido? Sim, quase sempre demora.

11- Comida

Como já referi anteriormente em outro artigo, aqui encontra-se facilmente uma grande variedade de peixes, frutos do mar, marisco, caracóis, coelho, borrego (cordeiro), carne de porco variadas, enchidos, alheiras, etc. Se você não gosta de nada disso a sugestão é para que antes de adentrar a um restaurante, leia o cardápio (Menu) que quase sempre se encontra exposto a entrada do estabelecimento. Garanto que vai lhe poupar de muitos desgostos.

12- Cozinhar em casa

Aqui felizmente encontramos coisas muito práticas para cozinhar em casa:  Legumes dos mais variados tipos congelados e semi prontos. Carnes pré cortadas, peixes frescos sem escamas e limpos, preparados para purês de batata que ficam prontos em 3 minutos, feijão em lata super saboroso,  molhos e natas que ficam prontos em poucos minutos, etc. Por isso, tudo fica muito fácil comprarmos umas coisinhas saborosas e fazermos a nossa própria comida.

Os produtos brasileiros são encontrados em algumas lojas especializadas, porém não é em todo lugar que tem estas lojas, então você vai ter que se adaptar com os produtos que tiver em mãos.

13 – Livro de Reclamação

Por lei, todo estabelecimento comercial tem um Livro de Reclamações onde o consumidor poderá registar o seu descontentamento com o atendimento ou com algo que tenha corrido mal durante o atendimento (de uma loja, restaurante, etc) ou estadia num hotel.  Utilize em casos que julgue importante e não por um motivo banal ok?

14- Pressa

Se estiver com pressa, antes de ter pressa, tenha paciência. No Brasil estamos acostumados a ser atendido imediatamente, entramos numa loja ou farmácia e já temos pessoas prontas a nos atender. Em Portugal ou na Espanha, não é bem assim. Calma, muita calma nessa hora. Você será atendido assim que possível.

15- Atendimento

Se você acha que aqui ou em outro país da Europa vai ter uma pessoa prontinha para te atender e deixar você experimentar todas as roupas que te apetecer e 10 pares de sapatos para escolher o que mais lhe agrada. Esqueça. Na loja de sapatos, vão lhe apresentar exatamente o par de sapatos que você manifestou desejo em experimentar, na numeração exata a e na cor exata. Se você começar a perguntar: Tem em branco? Tem em preto? Tem em roxo? ……Bem, melhor você fazer isso para poder saber……depois conte-me! 😉

O mesmo ocorre nas lojas de jóias e bijuterias. Os brincos aqui por questão de higiene não podem ser experimentados, no máximo você pode colocar a frente da orelha e olhar no espelho para ver se o tamanho lhe fica adequado. Não insista, não pode, não pode. Ok? Não seja chato ou chata.

16- Trânsito

Mais uma vez volto a dizer, calma e paciência. Em cidades pequenas as ruas são estreitas, quando não são estreitas são as pessoas que andam devagar. Raramente você verá um semáforo numa cidade pequena. Na estrada mantenha-se do seu lado direito, a pista da esquerda é apenas para ultrapassar.  Da mesma forma que você detesta que atrapalhem a sua vida, não atrapalhe a vida dos outros. Ok?

Passadeira (faixa de pedestre) pare! Aqui é obrigatório parar. Pare. Pare. Ok? Não preciso repetir ne? 😉

* Bem para já, creio que estas são algumas das perguntas que me fazem acerca da minha experiência de quase 10 anos a viver em Portugal. Há muito mais coisas para falar, coisas engraçadas, curiosas, divertidas, diferentes, há coisas que facilitam imenso a nossa vida, e que se fosse no Brasil seria um caos. No início a gente fica um bocado perdido, é como se tivessemos que reaprender tudo….coisinha por coisinha. Hoje já esqueci de como era fazer muita coisa no Brasil, às vezes me perguntam e eu fico perplexa e digo…olha não lembro.

No mais tenho certeza absoluta de que a maioria vai adorar viver em Portugal. Eu adoro, é o país que escolhi para viver, onde me sinto feliz, e que em resumo é onde quero ficar para o resto da minha vida. A principal dica é: Valorize o que é bom. O que for menos bom ignore! Nenhum lugar é perfeito, nenhum povo é perfeito e nada nesse mundo é exatamente do jeito que a gente quer! 😉

Guia de viagem bipolar

Quando você pensa em viajar qual a próxima coisa que pensa? Organizar um roteiro com horários e lugares que pretende visitar, acertei? Hoje o Bigviagem traz para vocês mais um artigo colaboração de Pedro B. sobre este tema, que nos faz pensar muito e que muitas vezes nos faz divergir  de opiniões entre os amigos e familiares. Eu confesso que prefiro tudo organizado, mas por um lado viajar com hora marcada para tudo e ter um time específico para cada programa me deixa bastante estressada. E você? O que acha?

Guia de viagem bipolar

Guia de viagem bipolar

Planear uma viagem é um momento crítico. Antecipar um conjunto de detalhes irá, certamente, fazer com que o nosso investimento de tempo e dinheiro esteja garantido de forma a potenciar aquele momento mágico para o qual estivemos a sonhar e a poupar durante o ano inteiro.

Planear é, portanto, uma tarefa que exige tempo e prática. É um processo que se vai construindo ao longo de várias viagens até chegarmos a um ponto ótimo que nos permite estabelecer padrões comuns para qualquer destino.

Umas pessoas atingem este ponto ótimo mais rápido do que outras. Não tem a ver apenas com capacidades de organização. Tem a ver com outras características de personalidade como, por exemplo, a timidez. Trata-se de um processo que vamos aperfeiçoando ao longo das nossas viagens até chegarmos aquele ponto em que pouco ou nada nos surpreende. É, portanto, um processo útil para eliminarmos o risco durante as nossas viagens e tirarmos o máximo partido do nosso destino.

No meu caso, atingi o ponto ótimo ao fim, de talvez, 4 viagens. Confesso-vos que apesar de ser um objetivo, quando o atingi e assim eliminei grande parte dos fatores de risco na minha 5ª viagem, senti um vazio e um artificialismo muito grande. Não gostei. Não gostei de ter tudo organizado até ao mais ínfimo detalhe, com tudo programado até ao minuto, e sem ter de empreender qualquer esforço na procura de soluções no momento.

Artificial é o melhor adjetivo que caracterizou a minha 5ª viagem. De tal forma me desagradou, que nas minhas viagens seguintes apenas tive o cuidado de marcar as viagens e avião. Tudo o resto foi feito no momento, proporcionando-me experiências inesquecíveis, tenham sido elas boas ou tremendamente más. Mas, no “fim do dia”, o saldo foi bastante positivo e o número de histórias e estórias a contar aos meus amigos aumentou consideravelmente.

Acredito que tudo isto, na verdade, se trata de uma questão de feitio. Há viajantes que gostam de ter tudo planeado e há outros que não gostam. Mas, no meu caso, caso não tivesse passado por um processo rigoroso de organizar as minhas primeiras viagens até ao último detalhe, não teria tido o prazer que tive quando decidi mudar radicalmente a planificação das minhas viagens.

Hoje trago-vos um guia de preparação de viagem bipolar. Bipolar porque tento abordar estes dois hemisférios que vos falei – organização rigorosa e ausência dela. Ambas são extremamente válidas e ambas, tenho a certeza, proporcionam extraordinárias recordações de uma viagem. O primeiro hemisfério tem uma predominância racional e o segundo é quase totalmente emocional. É um pouco como “largarmos as feras” que temos dentro de nós sem qualquer preocupação. Misturar os dois hemisférios será o ideal.

Como planear uma viagem

1. Escolher um destino

Hemisfério Racional – Para escolher um destino, discuta as várias possibilidades com os seus amigos. Faça pesquisa online, participe em fóruns e peça opiniões a viajantes experimentados. Pesquise fotos, artigos de jornal e revistas e navegue em blogs de viagem. Tenha em atenção condições climatéricas, rede de transportes, doenças e saneamento básico, condições políticas e sociais e momentos de lazer à disposição (cultura, shopping, praias, etc.)

Hemisfério Emocional – Calor ou frio? É só o que interessa. Encontre na net a passagem mais em conta, ou melhor, pegue na sua mochila, dirija-se ao aeroporto e escolha o destino naquele momento (meu Deus, como gostaria de ter a coragem de fazer isto!).

2. Escolher uma data

Hemisfério Racional – Terá a ver com a sua disponibilidade de tempo. Qual o momento oportuno em que consegue tirar férias sem comprometer o seu trabalho. Tenha em consideração se pretende viajar para um destino em época alta ou baixa e já agora combine este fator com o fator económico. Qual a melhor altura para beneficiar de promoções e descontos?

Hemisfério Emocional – A data da minha viagem é móvel. Aparece quando me chega a vontade de desaparecer. E nada de obstruções profissionais ou de outra natureza qualquer. Vou quando me apetecer e nada de submissão a promoções ou descontos. O meu coração vai ditar a melhor altura para viajar e ninguém tem nada a ver com isso.

3. Planear um itinerário

Hemisfério Racional – Adquira guias de viagens do local escolhido. Faça pesquisa na net e estabeleça uma lista com uma ordem cronológica dos locais a visitar. Prioritize estes locais e divida-os por natureza (cultural, lazer, desportivo, etc.). Planeie ainda o acesso a estes locais. Consegue aceder por transportes públicos? É necessário apanhar um táxi? Estabeleça um budget a gastar neste itinerário de forma a ter um referencial e assim controlar os seus custos.

Hemisfério Emocional – O itinerário da minha viagem será feito no momento. Depende do meu estado de espírito na altura e da minha disponibilidade. Às vezes uma cerveja gelada vale mais do que um quadro de Picasso e não há que ter qualquer vergonha em admitir isso.

4. Estabeleça um Budget

Hemisfério Racional – Elabore uma tabela Excel com todos os custos previstos por item. Guarde sempre uma margem para os imprevistos. O rigor e a exatidão vão determinar grande parte do sucesso da sua viagem.

Hemisfério Emocional – Tenho na minha posse uma quantia de dinheiro estimado para os dias de viagem. Espero que seja suficiente. Se não for tenho de voltar mais cedo, ou então se correr bem até fico mais uns dias e conheço mais locais. Preocupar-me com o dinheiro vai-me dar angústia e vai estragar a viagem. Se tiver de gastar mais dinheiro num determinado local é porque valeu a pena.

5. Efetue reservas

Hemisfério Racional – Quando estiver absolutamente certo do destino escolhido, é tempo de fazer reservas de voos, alojamento e se possível de espetáculos e atividades culturais e de lazer. Faço-o o mais cedo possível para garantir os melhores preços e evitar espera em filas de última hora.

Hemisfério Emocional – Reserve apenas o seu voo de ida e volta. Tudo o resto acontecerá por si. Para quê estar a reservar qualquer coisa em antecipação e assim condicionar o meu roteiro de férias? Fila de espera, nem pensar! Quero aproveitar tudo o que conseguir sem qualquer constrangimento de agenda. Certamente irei descobrir os melhores hotéis e os melhores locais quando chegar ao meu destino. E se tiver de dormir na rua, paciência.

6. Seguros e documentos

Hemisfério Racional – Tenha tudo em ordem com maior antecipação possível. Não arrisque.

Hemisfério Emocional – Tenha tudo em ordem no momento da viagem. Não arrisque.

7. Bagagem

Hemisfério Racional – Otimize ao máximo o seu espaço disponível. Se possível deixe algum espaço livre para trazer recordações na volta. Pense em mudas de roupa suficientes caso não consiga lavar roupa durante o percurso. Pense numa forma de identificar imediatamente a sua bagagem no momento da recolha nos aeroportos. Adapte os seus sacos ou malas de viagem aos transportes que vai utilizar no destino. A segurança destas também é um detalhe a ter em conta.

Hemisfério Emocional – Qual é a mochila mais leve?

Dark Tourism – As novas formas de turismo

Hoje o Bigviagem traz para vocês mais um artigo fascinante de Pedro B.  que nos põe a pensar. Novas formas de turismo surgem diariamente e o Dark Tourism é uma delas, porque nos sentimos atraídos por este tipo de viagem e/ou lugares? O que queremos captar conhecendo certos lugares? Bem, vamos ao artigo e depois cada um de vocês irá refletir e descobrir o que pensa sobre o tema e quais lugares desejaria visitar.

Dark Tourism – As novas formas de turismo

A saturação dos destinos turísticos tradicionais fazem emergir novas formas e modalidades de turismo assentes nas necessidades sociais das sociedades contemporâneas. O “labeling” ou a “etiquetagem” destas novas formas tem uma grande importância, pois serve como bússola para o viajante que procura novas sensações associadas ao momento de recriação associado ao turismo.

Uma destas etiquetas que me tem chamado a atenção é o “Dark Tourism”. Segundo Famaki e Stone, o “Dark Tourism” é entendido como o “tipo de turismo que envolve a visita a locais reais ou recriados, associados à morte, sofrimento, desgraça, ou ao aparentemente macabro”.

Apesar de arrepiante não é um conceito novo, pois estes locais sempre foram alvo da nossa curiosidade. Lembro-me, por exemplo, a casa de Anne Frank em Amesterdão, ou da prisão de Alcatraz em São Francisco ou ainda das ruínas romanas da cidade de Pompeia. São locais de grande interesse turístico e que fazem parte integrante de qualquer roteiro turístico destas cidades.

Esta forma de turismo ganhou recentemente grande expressão após os atentados de 11 de Setembro em Nova York. O “Ground Zero” é local de peregrinação nesta grande metrópole e toda uma indústria turística floresceu assente na exploração deste momento de puro horror e destruição.

A “morte” e o lado sinistro da natureza humana são, assim, os principais “drivers” deste tipo de turismo, e quando o colocamos desta forma, assim tão crua, o “Dark Tourism” merece uma reflexão profunda e séria sobre os motivos que nos levam a investir tempo e dinheiro nele e, principalmente, sobre as razões que levaram a que, devido à sua enorme procura em todo o mundo, a indústria turística criasse uma categoria ou uma etiqueta específica associada.

O que é que procuramos quando optamos por visitar o campo de concentração de Auschwitz, ou as valas comuns no Cambodja, ou o monumento em memória das vítimas de Hiroshima, ou a central nuclear de Chernobyl? Uma redenção, uma memória para transmissão futura, uma centelha de sofrimento para partilhar com as vítimas, uma curiosidade mórbida? Não sei, mas algo poderoso se passa para que a exploração destes momentos e locais sejam motivo de interesse e peregrinação.

Julgo que a razão mais válida, mas não a única, é a memória para transmissão futura. É importante ter esta noção de que as tragédias devem e têm de ser irrepetíveis e que devemos aprender com elas. E estas viagens ao horror e ao macabro são duras, mas eficazes, lições sobre tudo o que não queremos que o ser humano, que os nossos pares, sejam. Talvez se os vários governos patrocinassem viagens aos campos de concentração nazis, os partidos neonazis pura e simplesmente se evaporassem, ou percorrer a rota dos escravos enviados de África para a América do Sul fosse obrigatório nas escolas, o racismo e a escravatura deixassem de fazer qualquer sentido nos dias de hoje.

A redenção também poderá ser uma motivação forte e aqui a herança religiosa das nossas sociedades tem um grande protagonismo. A “lavagem” dos nossos pecados passa por vivenciar o horror para que possamos aprender uma lição que nunca mais nos esqueceremos. É uma perspetiva interessante, devo reconhecer, mas ao mesmo tempo, uma ponte para nos esquecermos dela e cairmos facilmente na curiosidade mórbida, que, embora preocupante, reconheço que possa ser viável ou natural. Convém é que possamos ter a capacidade de compreender e isolar esse momento, sem que ele passe a fazer parte dos nossos traços de personalidade.

Tudo isto é altamente perturbador porque não conseguimos encontrar razões claras da nossa atração pelo horror e pela morte. Mas ela existe e inclusive já foi transformada em produto turístico. Cabe-nos a nós fazer com que a exploração desta vertente seja equilibrada, consciente, racional, pedagógica e enriquecedora. Caberá também aos agentes do turismo saber explorá-la com contenção e responsabilidade, onde o lucro não seja o único motivo pelo qual investem no “Dark Tourism”.

MAIS RECENTES