Às 4h30 da manhã, quando os primeiros balões de ar quente começam a subir sobre Luxor, as luzes do Vale dos Reis ainda brilham no escuro. Em baixo, os túmulos de 63 faraós aguardam os visitantes que chegarão com o nascer do sol. Há três mil anos, os antigos egípcios acreditavam que o sol morria todas as noites a ocidente e renascia a oriente. Escolheram a margem oeste do Nilo para os seus túmulos por essa razão.
As principais cidades do Egito guardam mais história do que qualquer outro país da Terra. A civilização egípcia durou três milénios — mais tempo do que separa Cleópatra de nós. As pirâmides já tinham mil anos quando Abraão nasceu. Quando os gregos inventaram a democracia, o Egito já tinha construído e abandonado impérios.
O país recebe cerca de 15 milhões de turistas por ano, número que tem recuperado após as perturbações da Primavera Árabe e da pandemia. A maioria concentra-se no triângulo Cairo-Luxor-Assuã e nas praias do Mar Vermelho. Uma viagem completa exige pelo menos dez dias; duas semanas permitem um ritmo mais confortável.
A melhor época para visitar o Egito é de outubro a abril, quando as temperaturas são suportáveis para explorar monumentos ao ar livre. No verão, o termómetro ultrapassa frequentemente os 40 graus no Alto Egito. O visto é necessário para brasileiros e portugueses, podendo ser obtido à chegada nos aeroportos internacionais por cerca de 25 dólares.
Cairo
A maior cidade de África desperta ao som dos muezins que chamam para a primeira oração do dia. O Cairo tem mais de 20 milhões de habitantes na área metropolitana, distribuídos por uma mancha urbana que se estende ao longo do Nilo e se espraia pelos desertos em redor. O trânsito é lendário: atravessar a cidade de carro pode demorar horas.
O Museu Egípcio, na Praça Tahrir, guarda a maior colecção de antiguidades faraónicas do mundo. Mais de 120.000 objectos amontoam-se em vitrinas do século XIX que nunca foram actualizadas. O Tesouro de Tutankhamon ocupa uma ala inteira: a máscara funerária de ouro maciço, os sarcófagos encaixados uns nos outros, os objectos do quotidiano que acompanharam o jovem rei para a eternidade.
O Grande Museu Egípcio, em construção há duas décadas junto às pirâmides, promete revolucionar a experiência. Quando abrir totalmente — as datas têm sido sucessivamente adiadas — será o maior museu arqueológico do mundo, com espaço para expor adequadamente colecções que o museu actual não consegue mostrar.
O Cairo Islâmico concentra-se em torno da Cidadela de Saladino, fortaleza construída no século XII para defender a cidade dos cruzados. A Mesquita de Mohamed Ali, no interior da cidadela, domina o horizonte com as suas cúpulas e minaretes de estilo otomano. O bazar de Khan el-Khalili, a poucos minutos a pé, funciona ininterruptamente desde o século XIV. Os comerciantes vendem especiarias, perfumes, joias, tecidos e lembranças para turistas. A negociação é esperada; os preços iniciais são sugestões, não factos.
Gizé
As três pirâmides de Gizé erguem-se no limite do planalto desértico, onde o verde do vale do Nilo cede abruptamente ao ocre da areia. A Grande Pirâmide de Quéops, a única das Sete Maravilhas do Mundo Antigo que sobrevive, mede 147 metros de altura original (hoje 139, devido à erosão do revestimento) e foi a estrutura mais alta do mundo durante 3.800 anos.
Os números impressionam: 2,3 milhões de blocos de pedra, pesando em média 2,5 toneladas cada. A precisão da construção, com erros de apenas alguns centímetros na base de 230 metros, continua a intrigar engenheiros. Como uma civilização da Idade do Bronze conseguiu tal feito permanece parcialmente misterioso.
A Esfinge, com corpo de leão e cabeça humana, guarda o complexo funerário de Quéfren. Mede 73 metros de comprimento e 20 de altura. O nariz que falta foi provavelmente arrancado por iconoclastas medievais, não por soldados de Napoleão como reza a lenda. A erosão ameaça a escultura, que já foi restaurada várias vezes.
O bilhete de entrada no planalto de Gizé custa cerca de 200 libras egípcias (aproximadamente 6 euros). Entrar na Grande Pirâmide exige bilhete adicional de 400 libras. As filas são menores logo de manhã ou ao final da tarde. Os vendedores ambulantes e condutores de camelos são insistentes; um “não” firme é necessário.
Luxor
Luxor foi Tebas para os antigos egípcios, capital do reino durante o apogeu do poder faraónico. A concentração de monumentos por metro quadrado não tem paralelo: a cidade é frequentemente descrita como o maior museu ao ar livre do mundo.
O Templo de Karnak, na margem leste, é o maior complexo religioso jamais construído. A Sala Hipóstila, com 134 colunas de 23 metros de altura dispostas em 16 filas, transmite uma sensação de esmagamento deliberado — os fiéis deviam sentir-se pequenos perante os deuses. A construção do templo prolongou-se por 2.000 anos; cada faraó acrescentou o seu contributo.
A Avenida das Esfinges, recentemente restaurada, liga Karnak ao Templo de Luxor, atravessando a cidade moderna numa extensão de 2,7 quilómetros. As 1.350 esfinges de cabeça de carneiro alinhadas de ambos os lados marcavam o caminho das procissões religiosas.
A margem oeste do Nilo guarda os túmulos. O Vale dos Reis, escavado nas colinas calcárias, contém 63 túmulos identificados. O de Tutankhamon, descoberto por Howard Carter em 1922 praticamente intacto, é o mais famoso — embora não o mais impressionante. Os túmulos de Ramsés VI e Seti I têm pinturas melhor preservadas e câmaras mais espectaculares.
O Templo de Hatshepsut, a rainha que governou como faraó no século XV a.C., ergue-se em terraços contra uma falésia vertical. O Vale das Rainhas, menos visitado, guarda o túmulo de Nefertari, considerado o mais belo do Egito — o bilhete de entrada custa mais do que todo o Vale dos Reis.
Assuã
A cidade mais meridional do Egito marca a primeira catarata do Nilo, onde o rio encontra afloramentos de granito que impediam a navegação. Assuã foi sempre uma cidade de fronteira: aqui começava a Núbia, terra de mistério e riqueza para os antigos egípcios.
O Templo de Philae, dedicado à deusa Ísis, foi desmontado pedra a pedra na década de 1970 e reconstruído na ilha de Agilkia para escapar às águas da Barragem Alta de Assuã. A operação de salvamento, coordenada pela UNESCO, preservou um dos templos mais elegantes do período ptolomaico. O espectáculo de som e luz nocturno conta a história do templo com a ilha como cenário.
As aldeias núbias nas ilhas do Nilo oferecem uma experiência cultural distinta. As casas pintadas em cores vivas, a hospitalidade calorosa e o artesanato tradicional atraem visitantes que procuram mais do que monumentos. Os passeios de feluca — barcos de vela tradicionais — ao pôr do sol são particularmente populares.
A Barragem Alta de Assuã, construída com ajuda soviética nos anos 1960, criou o Lago Nasser, um dos maiores lagos artificiais do mundo. A barragem controla as cheias do Nilo que durante milénios fertilizaram os campos egípcios — e, ao fazê-lo, alterou profundamente a ecologia e a agricultura do país.
Abu Simbel
Os quatro colossos de Ramsés II, com 20 metros de altura cada, guardam a entrada do Grande Templo de Abu Simbel há 3.300 anos. O faraó mandou esculpir o templo directamente na rocha da montanha, num local escolhido para impressionar os vizinhos núbios com o poder egípcio. Funcionou: a mensagem chega intacta aos visitantes modernos.
Na década de 1960, a construção da Barragem Alta de Assuã ameaçou submergir Abu Simbel sob as águas do Lago Nasser. Uma campanha internacional sem precedentes, coordenada pela UNESCO, cortou os templos em blocos e reconstruiu-os 65 metros mais acima, numa posição segura. A operação demorou cinco anos e custou 40 milhões de dólares da época.
O Templo de Nefertari, dedicado à esposa favorita de Ramsés, fica ao lado. É o único templo egípcio dedicado a uma rainha. A fachada mostra seis estátuas colossais — quatro do faraó, duas da rainha — num tratamento inusitadamente igualitário para os padrões da época.
A maioria dos visitantes chega de avião desde Assuã (voo de 45 minutos) ou em excursões nocturnas que partem às 3 da manhã para chegar ao amanhecer. Pernoitar em Abu Simbel permite assistir ao espectáculo de som e luz e ver os templos sem as multidões diurnas.
Alexandria
Alexandria foi fundada por Alexandre Magno em 332 a.C. e tornou-se a capital intelectual do mundo antigo. A sua Biblioteca era a maior do mundo; o seu Farol, uma das Sete Maravilhas. Cleópatra governou a partir daqui; Marco António perdeu-se nos seus braços nestas ruas. Quase nada dessa grandeza sobreviveu à superfície.
A Bibliotheca Alexandrina, inaugurada em 2002, homenageia a biblioteca antiga com uma arquitectura modernista arrojada. O edifício circular, inclinado para o mar como um disco solar, pode albergar 8 milhões de livros. O interior inclui museus, um planetário e salas de exposições. É mais símbolo do que substituto — nenhuma biblioteca pode replicar o que se perdeu.
A Fortaleza de Qaitbay ocupa o local onde se erguia o Farol de Alexandria. A estrutura actual, construída no século XV com pedras do farol destruído por terramotos, oferece vistas sobre o Mediterrâneo e o porto oriental. Os arqueólogos submarinos descobriram restos do farol e de estátuas colossais no fundo do mar em frente à fortaleza.
A atmosfera de Alexandria é diferente do resto do Egito. A influência mediterrânica nota-se na arquitectura do século XIX, nos cafés elegantes à beira-mar e numa atitude mais cosmopolita. A cidade foi durante décadas um refúgio de escritores, artistas e exilados de toda a região.
Mar Vermelho
Sharm el-Sheikh, na ponta sul da Península do Sinai, é o destino de praia mais desenvolvido do Egito. As águas do Mar Vermelho, quentes e cristalinas, abrigam alguns dos recifes de coral mais espectaculares do mundo. O Parque Nacional Ras Mohammed protege ecossistemas marinhos extraordinários; os mergulhadores vêm de todo o mundo para explorar os seus corais e peixes tropicais.
O naufrágio do SS Thistlegorm, navio britânico afundado por bombardeiros alemães em 1941, é um dos mergulhos mais famosos do mundo. O cargueiro transportava motocicletas, camiões, armas e botas quando foi atingido. Tudo permanece no fundo, colonizado por corais e peixes, a 30 metros de profundidade.
Hurghada, na costa continental, oferece uma alternativa mais económica a Sharm. A cidade cresceu rapidamente nas últimas décadas, com resorts que se estendem por 40 quilómetros de costa. A qualidade dos recifes junto à cidade deteriorou-se com o desenvolvimento, mas pontos de mergulho mais distantes mantêm-se intactos.
Dahab, antiga aldeia beduína transformada em destino de mochileiros, combina ambiente descontraído com mergulho de classe mundial. O Blue Hole, um poço submarino de 130 metros de profundidade, atrai mergulhadores experientes — e causou dezenas de mortes entre os menos prudentes.
O Cruzeiro pelo Nilo
A forma clássica de conhecer o Egito é a bordo de um cruzeiro entre Luxor e Assuã. Os barcos navegam rio acima durante três a sete dias, parando nos templos que se sucedem ao longo das margens. Edfu, com o templo de Hórus mais bem preservado do Egito; Kom Ombo, templo duplo dedicado a Sobek (o deus crocodilo) e a Hórus; os túmulos de nobres em Assuã.
A navegação é lenta e contemplativa. As paisagens alternam entre campos verdes junto ao rio e deserto ocre que começa metros além das margens irrigadas. Os falucas tradicionais cruzam-se com barcos de carga e cruzeiros turísticos. O pôr do sol sobre o Nilo, visto do convés superior, justifica por si só a viagem.
Os cruzeiros variam em qualidade e preço. Os barcos mais económicos oferecem camarotes pequenos mas funcionais; os de luxo aproximam-se dos padrões dos hotéis de cinco estrelas. A maioria inclui refeições a bordo e excursões guiadas aos templos. A época alta vai de outubro a abril; no verão, os preços baixam mas o calor é intenso.
Informações práticas
A libra egípcia flutuou significativamente nos últimos anos. Os hotéis e entradas em monumentos são frequentemente cotados em dólares ou euros. Os multibancos estão disponíveis nas cidades principais, mas é prudente levar algum dinheiro de reserva.
O vestuário modesto é esperado fora das zonas balneares, especialmente ao visitar locais religiosos. Mulheres devem cobrir os ombros e usar calças ou saias abaixo do joelho nas mesquitas. Homens devem usar calças compridas. Os sapatos são removidos à entrada.
Os guias locais são geralmente conhecedores e entusiásticos, mas as comissões em lojas de artesanato são ubíquas. Os preços em bazares e com vendedores ambulantes são sempre negociáveis; começar em metade do preço pedido é razoável. A gorjeta é esperada em praticamente todas as interacções de serviço.
A gastronomia egípcia merece atenção. O koshari, prato de massas com arroz, lentilhas e cebola frita, é o almoço popular do Cairo. O ful medames, feijão-frade estufado, é o pequeno-almoço tradicional. O kofta, espetadas de carne picada, e o shawarma são omnipresentes. Os sumos de fruta frescos — manga, goiaba, cana-de-açúcar — são excelentes e baratos.
Poupe em suas viagens com o Booking.com! Veja a diferença por si mesmo.




