Milão é a capital da moda e do design, uma metrópole sofisticada que combina história e contemporaneidade. Mas a poucos quilómetros da cidade, os lagos alpinos do norte de Itália oferecem paisagens de sonho: montanhas refletidas em águas azuis, vilas elegantes e jardins românticos. Esta combinação faz da região um dos destinos mais completos de Itália.

Neste guia completo, apresentamos um roteiro por Milão e os lagos do norte que equilibra arte urbana, compras de luxo e a serenidade das margens lacustres.

O que precisa saber

Milão fica no norte de Itália, servida por três aeroportos: Malpensa (principal, 50km), Linate (mais próximo, 7km) e Bergamo-Orio al Serio (low-cost, 50km). Os lagos principais — Como, Maggiore e Garda — ficam a 1-2 horas de comboio ou carro de Milão, tornando a cidade uma base perfeita.

Reserve 2-3 dias para Milão e 3-5 dias para os lagos, dependendo de quantos quer visitar. A melhor época é abril-junho e setembro-outubro: tempo agradável, jardins floridos, menos turistas que no verão. O inverno em Milão tem charme próprio (compras, ópera, vida cultural), mas os lagos podem ser cinzentos e muitas atrações fecham.

Milão: Capital da Moda e do Design

Duomo di Milano

A catedral gótica de Milão demorou quase 600 anos a completar. A fachada de mármore branco-rosa, com mais de 3.400 estátuas e 135 pináculos, é impressionante de qualquer ângulo. No topo, a Madonnina dourada vigia a cidade desde 1774. A subida aos terraços (a pé ou elevador) oferece vistas únicas entre as esculturas góticas.

A Piazza del Duomo é o coração de Milão: rodeada pela Galleria Vittorio Emanuele II, pelo Palazzo Reale e pela animação constante de locais e turistas. Visite o interior da catedral (gratuito ou 3€ para acesso rápido) e reserve a subida aos terraços (10-14€) para final de tarde.

Galleria Vittorio Emanuele II

A mais antiga galeria comercial de Itália (1867) é uma obra-prima de ferro e vidro que liga a Piazza del Duomo ao Teatro alla Scala. O pavimento em mosaico, os frescos nas abóbadas e as montras das marcas de luxo criam uma atmosfera única. Diz a tradição que girar o calcanhar sobre os genitais do touro no mosaico traz sorte.

Os preços nas lojas e cafés da galeria são para ver, não necessariamente para comprar. Mas passear pela galeria é gratuito e obrigatório.

Teatro alla Scala

Um dos templos mundiais da ópera abriu em 1778 e viu estreias de Verdi, Puccini, Rossini. O Museu Teatrale alla Scala (9€) permite conhecer a história e espreitar a sala de espetáculos (quando não há ensaios). Para a experiência completa, assista a uma ópera ou ballet: os bilhetes variam de 30€ (galeria) a centenas de euros.

Santa Maria delle Grazie e A Última Ceia

O convento dominicano alberga a obra mais célebre de Leonardo da Vinci: A Última Ceia (Il Cenacolo), pintada entre 1495 e 1498. A fragilidade do fresco (técnica experimental que começou a deteriorar-se ainda em vida de Leonardo) exige visitas controladas de apenas 15 minutos para grupos pequenos.

Reserve bilhetes com meses de antecedência em cenacolovinciano.org (15€ mais taxa). Os bilhetes esgotam rapidamente, especialmente na época alta. Se não conseguir reserva, tente cancelamentos no próprio dia ou tours guiados que incluem entrada.

Brera

O bairro artístico de Milão concentra galerias, ateliês, lojas de design e restaurantes elegantes. A Pinacoteca di Brera (15€) é o museu de arte mais importante de Milão, com obras de Mantegna, Rafael, Caravaggio e Bellini. O Jardim Botânico de Brera é um oásis escondido perfeito para uma pausa.

Quadrilatero della Moda

As quatro ruas que formam o “quadrilátero da moda” (Via Montenapoleone, Via della Spiga, Via Manzoni, Corso Venezia) concentram as principais marcas de luxo do mundo. Mesmo sem intenção de comprar, vale passear pelas montras cuidadosamente compostas e observar a elegância milanesa em ação.

Navigli

Os canais que outrora ligavam Milão ao Lago Maggiore são hoje o bairro boémio da cidade. O Naviglio Grande e o Naviglio Pavese estão ladeados por bares, restaurantes e lojas vintage. Aos domingos, o mercado de antiguidades atrai multidões. À noite, é o centro da vida noturna milanesa: aperitivo é tradição sagrada.

Lago de Como

Como

A cidade que dá nome ao lago fica na ponta sul, a 40 minutos de comboio de Milão. O centro histórico preserva a catedral gótica, as muralhas medievais e o Teatro Sociale. O funicular para Brunate (7€ ida e volta) oferece vistas panorâmicas sobre o lago e os Alpes.

Como é a melhor base para quem viaja de transportes públicos: bem ligada a Milão e ponto de partida dos ferries que percorrem o lago.

Bellagio

A “pérola do Lago de Como” ocupa o promontório onde os dois braços do lago se encontram. Ruelas empedradas, jardins floridos, vilas elegantes e restaurantes com vista fazem de Bellagio o destino mais romântico da região. Os Jardins da Villa Melzi (6,50€) e da Villa Serbelloni (tour guiado, 9€) são imperdíveis.

Chega-se de ferry desde Como (2h) ou Varenna (15 min). O alojamento em Bellagio é caro; muitos visitam de dia a partir de bases mais económicas.

Varenna

Na margem oriental do lago, Varenna é mais tranquila e autêntica que Bellagio. As vilas com jardins à beira-água (Villa Monastero e Villa Cipressi) são deslumbrantes. O passeio à beira do lago (Passeggiata degli Innamorati) é romântico ao entardecer. Varenna tem comboio direto de Milão (1h), tornando-a base prática.

Menaggio, Tremezzo e Villa Carlotta

A margem ocidental do lago tem algumas das vilas mais impressionantes. A Villa Carlotta (12€), entre Tremezzo e Cadenabbia, combina arte (esculturas de Canova) com jardins botânicos extraordinários, especialmente espetaculares na primavera quando as azáleas florescem.

Lago Maggiore

Stresa

A vila mais elegante do Lago Maggiore foi destino de férias da aristocracia europeia no século XIX. O passeio à beira-lago, os hotéis Belle Époque e a vista para as Ilhas Borromeu criam atmosfera de época dourada. O comboio de Milão demora 1h.

Ilhas Borromeu

O arquipélago privado da família Borromeu é a atração principal do lago. A Isola Bella transforma-se num palácio barroco com jardins em terraço; a Isola Madre tem jardins botânicos; a Isola dei Pescatori preserva a atmosfera de vila de pescadores. Bilhete combinado para as três: 35€. Ferries partem de Stresa frequentemente.

Arona

Na ponta sul do lago, Arona é mais acessível e menos turística. A estátua colossal de San Carlo Borromeo (23 metros, subida ao interior) domina a colina. O centro histórico tem boas opções de restauração. De Arona, ferries percorrem o lago inteiro.

Lago de Garda

Sirmione

A península que se projeta no lago é um dos destinos mais populares. O Castello Scaligero, com os seus pés na água, guarda a entrada da vila velha. As Grotte di Catullo (ruínas de uma vila romana) ocupam a ponta norte. As termas de Sirmione são famosas desde a antiguidade.

Sirmione pode ser visitada de bate-volta desde Milão (1h30 de comboio até Desenzano, depois autocarro), mas pernoitar permite aproveitar a vila quando os turistas de dia partem.

Riva del Garda

Na ponta norte do lago, rodeada por montanhas, Riva tem atmosfera quase tirolesa (fez parte do Império Austro-Húngaro até 1918). É destino popular para desportos aquáticos (windsurf, vela) e trilhos. A cascata do Varone fica nas proximidades.

Limone sul Garda e Malcesine

Limone, na margem ocidental, é famosa pelos limoeiros (únicos a norte dos Alpes graças ao microclima). Malcesine, na margem oriental, tem um castelo scaligero e teleférico para o Monte Baldo (vistas extraordinárias). Ambas são vilas pitorescas para uma paragem.

Roteiro Sugerido: 7 Dias

No primeiro dia, chegada a Milão. Duomo, Galleria Vittorio Emanuele II, passeio pelo centro. Aperitivo nos Navigli.

No segundo dia, Milão. Santa Maria delle Grazie (Última Ceia — reservar!), Brera. Quadrilatero della Moda ou compras. Teatro alla Scala (visita ou espetáculo).

No terceiro dia, Lago de Como. Comboio para Como. Funicular para Brunate. Ferry para Bellagio, passeio e almoço. Ferry para Varenna, jantar e pernoite.

No quarto dia, Lago de Como. Ferry para Tremezzo, Villa Carlotta. Regresso a Varenna ou Milão ao final da tarde.

No quinto dia, Lago Maggiore. Comboio para Stresa. Ferry para Ilhas Borromeu (Isola Bella e Isola dei Pescatori). Pernoite em Stresa.

No sexto dia, Lago de Garda. Comboio para Desenzano, autocarro para Sirmione. Castelo, Grotte di Catullo, passeio. Regresso a Milão ao final da tarde.

No sétimo dia, Milão. Manhã livre para últimas compras ou visitas. Partida.

Gastronomia do Norte de Itália

A cozinha lombarda é rica e reconfortante. O risotto alla milanese (com açafrão) e a cotoletta alla milanese (escalope panado, antepassado do schnitzel) são pratos-bandeira. O ossobuco (pernil de vitela estufado) é outra especialidade. O panettone, o bolo de Natal italiano, nasceu em Milão.

Nos lagos, o peixe de água doce domina: missoltini (agoni secos ao sol), lavarello e persico. A polenta acompanha quase tudo. Os queijos da região (gorgonzola, taleggio, grana padano) são excelentes. O aperitivo milanês é instituição: de Campari a Aperol Spritz, acompanhado de buffet generoso nos bares dos Navigli.

Quanto Custa

Milão é uma das cidades mais caras de Itália, especialmente alojamento e restauração no centro. Hotéis médios: 130-220€/noite. Refeições: 30-50€ em restaurantes de bairro. A Última Ceia: 15€ (reservar!). Ferries nos lagos: 10-18€ por trajeto ou passes diários 25-35€.

Os lagos variam: Bellagio e Stresa são caras; Como, Varenna e vilas menores mais acessíveis. O passe InterRail ou Eurail cobre comboios para os lagos.

Dicas Práticas

Reserve A Última Ceia assim que souber as datas de viagem: esgota meses antes. Os ferries nos lagos têm horários sazonais: verifique antes de planear. Milão tem muito mais que moda: não negligencie a cultura. O metro de Milão é eficiente para deslocações na cidade.

Para os lagos, comboio mais ferry é a combinação ideal. Carro é útil para explorar margens menos servidas de transportes. Os lagos podem ter nevoeiro matinal em certas épocas: geralmente dissipa ao meio da manhã. Leve camadas de roupa: os lagos são mais frescos que Milão, especialmente ao entardecer.

O norte de Itália combina a sofisticação urbana de Milão com a beleza natural dos lagos alpinos. É uma região que recompensa tanto quem procura arte e compras como quem quer simplesmente sentar-se à beira da água a contemplar as montanhas. Reserve tempo suficiente para ambos os prazeres.

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